PF combate desvios em 11 Estados; ex-prefeito mineiro é cercado em Miami

A Polícia Federal (PF) faz na manhã desta terça-feira uma operação para desarticular uma organização criminosa suspeita de desviar recursos público de mais de uma centena de cidades em 11 Estados: Minas Gerais, Espírito Santo, São Paulo, Pará, Sergipe, Santa Catarina, Rio de Janeiro, Pernambuco, Paraíba, Maranhão e Bahia. Entre os suspeitos de participar da quadrilha estão três ex-prefeitos de cidades mineiras. Um deles, o ex-prefeito de Montes Claros, Luiz Tadeu Leite, está cercado desde o início da manhã por equipes da Polícia Federal e do FBI (a polícia federal americana) em um apartamento de sua propriedade em Miami, nos Estados Unidos. 

Os outros dois ex-prefeitos já foram detidos: José Benedito Nunes, que comandou a prefeitura de Jarnaúba e também foi ex-delegado da Polícia Civil, e Warmilon Fonseca Braga, ex-prefeito de Lagoa dos Patos e Pirapora e que também presidiu o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Foram detidos ainda o advogado e ex-procurador da prefeitura de Montes Claros, Sebastião Vieira Filho, além de Robson Luiz Veloso e Antônio José Lima Oliveira.

Ao todo, estão sendo cumpridos 53 mandados judiciais: nove de prisão de prisão temporária, 20 de busca e apreensão, 21 de sequestro de valores, bens móveis e imóveis, e três para prestar depoimento na delegacia. Mais de 100 policiais participam da ação, batizada de Violência Invisível.

De acordo com a polícia, a quadrilha, formada por empresas, pessoas físicas, servidores públicos e ex-prefeitos, fraudava processos licitatórios, direcionando as contratações a uma das empresas integrantes do esquema. Essa empresa vencia as licitações com o compromisso de fazer a compensação entre precatórios judiciais e as dívidas das prefeituras, sob o argumento de uma economia de até 30% sobre os valores devidos ao INSS, prática proibida expressamente pela lei.

Em Minas Gerais, a ação do grupo foi detectada nos municípios de Águas Vermelhas, Capelinha, Caratinga, Ipatinga, Itambacuri, Janaúba, Montes Claros, Pirapora, Rio Pardo de Minas, Várzea da Palma, Varzelândia, além do Consórcio intermunicipal de Saúde da Rede de Urgência do Norte de Minas (Cisrun). Somente nesse Estado, foram desviados mais de R$ 70 milhões. 

Os presos responderão por crimes contra a administração pública, formação de quadrilha, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro, fraude às licitações, corrupção ativa e passiva, dentre outros. Se condenados, as penas máximas aplicadas aos crimes ultrapassam 30 anos.

Os trabalhos contam com a participação do Ministério Público de Minas Gerais e da Receita Federal do Brasil. Pela complexidade, a atuação da organização criminosa será julgada tanto pela Justiça Federal, quanto pela Justiça Estadual.