Comerciantes culpam PM e se desesperam com quebradeira em BH

Os comerciantes e empresários da região da Pampulha, em Belo Horizonte, estão sem saber como se recuperar dos prejuízos causados pela ação de vândalos durante a manifestação da última quarta-feira na capital mineira. Nesta quinta ainda era possível encontrar lojas com focos de incêndio ao longo da avenida Antônio Carlos, uma das principais da cidade e principal ponto de confronto entre a Polícia Militar e manifestantes.

Larissa Lopes, gerente de marketing da concessionária Automark Kia, contou que o prejuízo é de cerca de R$ 4 milhões. "Ainda não sabemos se compensa reerguer a loja. A inoperância total da polícia contribuiu para a destruição total”, reclamou. “Na hora da quebradeira ligamos para a polícia e tivemos que ouvir 'o foco é o Mineirão'. Tinha uma barreira policial aqui na esquina e eles não fizeram nada. A pergunta é, podemos confiar? Quem vai pagar a folha de pagamento dos funcionários?”, lamentou.

O comerciante Glaudimir Gomes tem uma lanchonete na região e ficou revoltado ao falar sobre a ação da Polícia Militar. "Tentaram colocar fogo no toldo da loja e não conseguiram. O caos já estava anunciado e a PM não fez nada. Tive um prejuízo de R$ 6 mil e não sei ainda como fazer”, afirmou.

O gerente de vendas da revendedora de carros Forlan, Igor Figueiredo, disse que o prejuízo ainda é incalculável: "Roubaram muita coisa. E pior, houve total omissão da Polícia Militar. A gente ligou para o 190 e ouvia 'não tem como chegar, não tem como chegar', mas na hora do auê passaram várias viaturas aqui na frente", contou.

"Derrubaram tudo e passaram por cima mesmo. Quebraram o cercado e saquearam a loja. Ainda não sei o prejuízo, mas é um absurdo", recordou Osmar Santana, dono de uma drogaria da região.

?Aparecida Moreira, assessora de qualidade de um posto de gasolina, disse que a gerente ainda fazia nesta manhã um levantamento para saber o tamanho do prejuízo. "Quebraram as bombas de abastecimento do posto, estamos vendo se tem mais alguma coisa, se foi levado algo do escritório", contou. O técnico que fazia a avaliação dos custos das bombas, Antonio Virgilio, estimou que o prejuízo esteja em torno de R$ 4 mil. "O problema é que já sabiam que isso iria acontecer né? E ninguém fez nada pelo visto", comentou.

"Para mim não teve ação da polícia. Ficaram com o foco no jogo e deixaram o resto ao Deus dará", afirmou Jader Couto, funcionário da Honda. "O prejuízo deve estar entre R$ 500 mil e R$ 1 milhão. Levaram capacete, queimaram motos, jaquetas de couro. Fora o prejuízo do próprio imóvel", explicou.

Hélio Campos é dono de uma distribuidora de escadas e estimou o prejuízo em no mínimo R$ 150 mil. "Levaram escadas e ainda por cima quebraram meu carro. Protegeram o Mineirão e nos deixaram a mercê desses animais. É difícil porque depois de um tempo que a ficha começa a cair, vou fechar a loja no mínimo até domingo. E quer saber? Eu acho que vai acontecer de novo", lamentou, desanimado e quase aos prantos.

Posição da Polícia Militar

O comandante geral da Polícia Militar de Minas Gerais, Márcio Sant’Ana, disse que os policiais tiveram dificuldades para atuar de forma ostensiva para conter os vândalos que faziam depredações na avenida porque havia uma grande movimentação de manifestantes pacíficos que não estavam envolvidos nas ações de vandalismo no local.

“Qualquer ação mais brusca da Polícia Militar naquele momento poderia causar pânico nessas pessoas. Além disso, o viaduto que fica na esquina entre as avenidas Antônio Carlos e Abraão Caram estava repleto de pessoas, sendo um local muito sensível à ação de repressão da polícia. Os policiais militares não insistiram em forçar a passagem por este ponto para evitar uma provável catástrofe. Como havia muita gente no meio do caminho até chegar aos locais das depredações, não apenas os policiais como também os bombeiros tiveram dificuldades para se deslocar até aquela área”, disse.

“Entretanto, apesar dessas dificuldades, alguns policiais conseguiram alcançar a loja da concessionária Kia Motors, que estava sendo incendiada, e prenderam dois adolescentes que estão entre os responsáveis por esta ação criminosa", afirmou.

De acordo com o comandante geral da PM, os cerca de 5 mil policiais militares destacados para as manifestações populares e a realização do jogo Brasil e Uruguai atuaram prioritariamente para garantir a segurança das milhares de pessoas que estavam se manifestando de forma pacífica e também para assegurar o acesso e a saída dos mais de 60 mil torcedores e profissionais presentes no Mineirão. Além disso, justificou o comandante, os policiais enfrentaram diversos ataques de vândalos e arruaceiros nas imediações do Mineirão.

O Governo de Minas Gerais informou que cumpriu o acordo firmado no dia 25 entre o governador Antonio Anastasia e líderes do Comitê Popular dos Atingidos pela Copa, que previa a instalação uma barreira física, com grades, na avenida Abraão Caram, sem a presença de policiais militares, o que foi cumprido pelo governo, alegou. Além disto, no local originalmente previsto como ponto de bloqueio das manifestações, os agentes da Polícia Militar de Minas Gerais seguiram a nova orientação e mantiveram distância considerável dos manifestantes.

“Ficou claro nas diversas imagens veiculadas pelas emissoras de televisão, que grupos minoritários e violentos de vândalos, vários deles encapuzados, agiram no sentido de romper estar barreira, arremessando pedras, paus e bombas caseiras em direção aos policiais militares, que só reagiram para se defender dos ataques”, afirmou.