Com apoio do MPL, mais de mil protestam na periferia de São Paulo

Três manifestações acontecem simultaneamente na manhã desta terça-feira na periferia da capital paulista. Na zona sul, dois grupos - um em Capão Redondo e outro em Campo Limpo - saíram em passeata pelas ruas da região. Por volta das 8h40, ambos se reuniram na avenida Carlos Caldeira Filho, uma das principais da área. O outro manifesto ocorre em Guaianases, na zona leste. 

A Polícia Militar (PM) acompanha os protestos e o trânsito na Caldeira Filho está interrompido. Eles seguem para o Palácio dos Bandeirantes, no Morumbi. Ao todo, mais de mil pessoas participam dos atos, organizados pelos movimentos sociais Periferia Ativa e dos Trabalhadores Sem Teto, com apoio do Movimento Passe Livre (MPL). 

Entre as reivindicações estão a reforma urbana, saúde e educação nos "padrões Fifa", fim da violência policial na periferia, desmilitarização da polícia, controle do valor dos aluguéis, fim das remoções arbitrárias, tarifa zero no transporte público e redução da jornada de trabalho para 40 horas sem redução do salário. De acordo com militantes, a Casa Civil do governo do Estado entrou em contato para receber uma comissão para ouvir os anseios do movimento.

"Esse movimento de manifestações que têm ocorrido no Brasil é importante por abrir um canal de comunicação com os governos. A presidente Dilma, nos dois primeiros anos de governo, passou sem receber os movimentos sociais e a partir de agora isso está mudando um pouco", considerou um dos integrantes do MPL, Caio Martins.

O representante do movimento que organizou os protestos na capital paulista também falou quanto à queda na adesão às manifestações em São Paulo após a redução da tarifa do transporte público. "Tínhamos uma pauta central que era a redução do preço do transporte e isso foi conseguido. Dizem que o povo acordou, mas a periferia nunca dormiu. Dizíam que era impossível baixar os preços das tarifas e isso foi conseguido. Ainda temos muitas lutas pela frente", completou Martins. 

Segundo a rádio CBN, na zona leste o protesto ainda era tímido no início da manhã. Cerca de 20 pessoas ocupavam a calçada em frente à estação Guaianases da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), onde pintam cartazes e distribuem panfletos sobre as reivindicações do movimento.