Manifestações surpreendem imprensa internacional, que critica a ação da polícia

Repórteres que vieram cobrir a Copa das Confederações mudaram o foco das apurações

As manifestações em todo o Brasil trouxeram representantes da imprensa internacional para cobrir os protestos e apurar as ações e motivações dos ativistas. Neste domingo, a imprensa internacional cobriu as manifestações em frente à casa do governador Sérgio Cabral, que levaram quase quatro mil pessoas ao Leblon.

Entre os pontos destacados por jornalistas da NHK,do Japão, e da ARD,da Alemanha, estão a surpresa pelas manifestacões em um país democrático como o Brasil e a reprovação da ação da polícia, considerada "despreparada". Repórteres da Telesur, multi-estatal localizada na Venezuela, também trabalharam neste domingo em frente à Aristides Espínola, rua onde mora Cabral.

Shuichiro Haraguchi,repórter da NHK, diz que os objetivos iniciais da cobertura eram a Copa das Confederações, assim como verificar as condições de segurança do país para a Copa do Mundo de 2014.

"O Japão foi tomado pela surpresa por causa das manífestações. A mídia japonesa vem comparando o que vem acontecendo no Brasil com a Primavera Árabe, e o Japão ficou surpreso com o fato de isso acontecer em um país democrático como o Brasil", disse Haraguchi, que considera as manifestações muito importantes "Nos anos 60 e 70, muitos estudantes protestaram contra as relações entre o Japão e os Estados Unidos. Só condenamos o vandalismo e a violência", ressaltou o repórter.

O cancelamento da visita da presidente Dilma Roussef ao país foi "compreensível", segundo o repórter. Quanto à Copa das Confederações, não houve indícios de que a delegação tenha tido qualquer desejo de deixar o país. A Itália, na última semana, pensou nessa possibilidade após alguns carros da Fifa terem sido depredados em Salvador. A própria entidade, no entanto, descartou a saída da delegação. 

"Polícia não está preparada" 

Uma jornalista da rede pública de TV da Alemanha, a ARD, que preferiu não se identificar, condena o uso da palavra "vandalismo" para se referir aos atos de depredação e destruição de locais como a Avenida Presidente Vargas e uma concessionária de carros na Barra. 

"Para mim isso é uma população muito pobre exercitando sua catarse", disse, para em seguida criticar o governador Sérgio Cabral. "Ele usa a palavra vandalismo para justificar a ação da polícia que, claramente, não está preparada. Mortífera e sem medo de matar. Na Argentina, onde moro, a presidente Cristina Kirchner proibiu expressamente balas de borracha em manifestações. E aqui, sobra pra todo mundo: manifestantes, jornalistas, todo mundo", disparou.

A jornalista conta que a Alemanha foi tomada pela surpresa com as manifestações no Brasil, mas que até agora a primeira ministra do país, Angela Merkel, não se manifestou a respeito do assunto. A respeito da cobertura, segundo a jornalista, o objetivo é sempre deixar que os manifestantes contem o que está acontecendo no Brasil: 

"Cada história é uma parte do quebra-cabeças", finalizou a jornalista. E hoje, as duas equipes terão trabalho novamente: uma nova manifestação está marcada para as 17h, na Candelária, centro do Rio, onde novas histórias serão contadas.