DF: Marcha das Vadias reúne 300 pessoas contra Estatuto do Nascituro

Mais de 300 pessoas estão reunidas na tarde deste sábado em Brasília para a realização da terceira Marcha das Vadias. Na edição deste fim de semana, os manifestantes protestam contra a tramitação do Estatuto do Nascituro na Câmara. O projeto de lei, apelidado de "bolsa estupro" prevê, entre outros pontos, o direito ao pagamento de pensão alimentícia, equivalente a um salário mínimo, às crianças concebidas de estupros.

Atualmente, a legislação permite que mulheres vítimas desse crime tenham direito a realizar um aborto caso engravidem do agressor. Com o Estatuto do Nascituro, essa prática será vedada. O projeto foi aprovado no dia 6 de junho, mas precisa ainda passar pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados, ir a plenário e seguir para o Senado.

Na marcha deste sábado, mulheres - muitas delas usando roupas curtas, lingerie e palavras escritas no corpo - e homens pediam mais liberdade sexual e o fim da discriminação de gêneros. Uma das participantes ilustres do evento, a deputada Érika Kokay (PT-DF) disse que comparece todos os anos à marcha.

"Esse movimento é uma reação à tentativa de culpar a mulher pelos atos de violência dos quais elas são vítimas. Aprovar o Estatuto do Nascituro é transformar o estupro numa agonia sem fim. O que está acontecendo no Congresso me faz parodiar Nelson Rodrigues: 'o absurdo está perdendo a vergonha'", disse.