Prejuízos com depredações em Porto Alegre chegam a R$ 1,3 mi   

Os prejuízos acumulados com as depredações ocorridas durante protestos realizadas na cidade de Porto Alegre nesta semana somam prejuízos de mais de R$ 1,3 milhão com a destruição e saque de lojas e prédios públicos, segundo afirmam lojistas e prefeitura.

Após um confronto intenso nas ruas de Porto Alegre na noite de quinta-feira, o Sindicato dos Lojistas (Sindilojas) afirma que as perdas ultrapassam R$ 600 mil, com os danos em cortinas de ferro, quebra de vidros, pichações, saques  e queda de 50% no faturamento das lojas.

Na terça-feira, após os protestos de segunda-feira, a prefeitura anunciou que os prejuízos ficaram na casa dos R$ 752 mil. Segundo o Executivo municipal, 52 contêineres de lixo tinham sido depredados, dos quais 25 foram queimados. Um ônibus também foi incendiado, além de outras depredações.

Nesse valor divulgado pela prefeitura na terça-feira, não estavam incluídos os prejuízos registrados na noite de ontem.

Mobilizados contra o aumento das tarifas de transporte público nas grandes cidades brasileiras, grupos de ativistas organizaram protestos para pedir a redução dos preços e maior qualidade dos serviços públicos prestados à população. Estes atos ganharam corpo e expressão nacional, dilatando-se gradualmente em uma onda de protestos e levando dezenas de milhares de pessoas às ruas com uma agenda de reivindicações ampla e com um significado ainda não plenamente compreendido.

A mobilização começou em Porto Alegre, quando, entre março e abril, milhares de manifestantes agruparam-se em frente à Prefeitura para protestar contra o recente aumento do preço das passagens de ônibus; a mobilização surtiu efeito, e o aumento foi temporariamente revogado. Poucos meses depois, o mesmo movimento se gestou em São Paulo, onde sucessivas mobilizações atraíram milhares às ruas; o maior episódio ocorreu no dia 13 de junho, quando um imenso ato público acabou em violentos confrontos com a polícia.

O grandeza do protesto e a violência dos confrontos expandiu a pauta para todo o País. Foi assim que, no dia 17 de junho, o Brasil viveu o que foi visto como uma das maiores jornadas populares dos últimos 20 anos. Motivados contra os aumentos do preço dos transportes, mas também já inflamados por diversas outras bandeiras, tais como a realização da Copa do Mundo de 2014, a nação viveu uma noite de mobilização e confrontos em São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Salvador, Fortaleza, Porto Alegre e Brasília.

A onda de protestos mobiliza o debate do País e levanta um amálgama de questionamentos sobre objetivos, rumos, pautas e significados de um movimento popular singular na história brasileira desde a restauração do regime democrático em 1985. A revogação dos aumentos das passagens já é um dos resultados obtidos em São Paulo e outras cidades, mas o movimento não deve parar por aí. “Essas vozes precisam ser ouvidas”, disse a presidente Dilma Rousseff, ela própria e seu governo alvos de críticas.