Movimento: "PMs destruíram o centro de SP dizendo que foi a gente"

O confronto entre policiais e manifestantes durante o quarto protesto contra o aumento na tarifa do transporte público na capital paulista deixou um rastro de destruição no centro na noite de quinta-feira. Lixeiras incendiadas, vidros de estabelecimentos quebrados, ônibus, muros e monumentos pichados e muita sujeira espalhada. "Eles (policiais militares) destruíram o centro dizendo que foi a gente", declarou Caio Martins, um dos integrantes do Movimento Passe Livre (MPL), organizador dos protestos.

?De acordo com Martins, cerca de 15 mil pessoas participaram do ato. Ele ressaltou que a marcha começou pacífica e tranquila em frente ao Theatro Municipal mas, na altura da Consolação, a polícia começou a jogar bombas. "Foi repressão o tempo inteiro, mas ficou claro ontem que a violência é sempre introduzida pela polícia", afirmou. 

O confronto teria sido iniciado pela polícia porque um "acordo" que havia sido feito com os manifestantes teria sido rompido. O "combinado" era que a manifestação, que começou na praça Ramos de Azevedo, se encerrasse na praça Roosevelt, ao lado da igreja da Consolação. O integrante do MPL desconhece esse acordo. "Parece que para o governador está muito cara a avenida Paulista e não quer o protesto vá para lá. Houve claro cerceamento à liberdade de manifestação. Eles estão querendo impedir que a gente vá a certas vias. A gente não fechou a Paulista, mas a polícia fechou", criticou. 

Martins também salientou que, pela primeira vez, a polícia assumiu que colocou policiais infiltrados no protesto. Alguns, inclusive, teriam praticado atos de vandalismo para parecer que fossem os manifestantes. "Para ver o nível que chegou. Tinham muitos e aí foi terrível. O protesto terminou reprimido pela polícia".

O integrante classificou o quarto dia de protesto como o mais violento até agora. "Tinha muita gente machucada, com bombas sendo jogadas de helicóptero. Alegam que são bombas para efeito moral, mas que podem mutilar por causa dos estilhaços", criticou. "Eles (policiais) batem em qualquer um, vão atacando arbitrariamente. É uma violência incontrolável e todo mundo se fere. Um vandalismo da polícia", completou. 

"Haddad mente"

Caio Martins negou que a prefeitura tenha "aberto as portas" para o diálogo com os manifestantes para falar sobre a causa. "O Haddad (Fernando, prefeito de São Paulo) mente ao dizer que estão abertos ao diálogos. A prefeitura e o governo do Estado se fecharam ao diálogo", acusou.