Com medo de novo protesto, empresas liberam funcionários mais cedo em SP

A notícia de que um novo protesto pararia a zona sul da cidade de São Paulo nesta sexta-feira fez com que algumas empresas dispensassem seus funcionários mais cedo. A HP, multinacional da área de tecnologia, comunicou aos seus funcionários que o expediente da empresa seria interrompido no meio da tarde, no escritório do Centro Empresarial Nações Unidas (Cenu), na região da avenida Engenheiro Luís Carlos Berrini.

Circula pelas redes socais a informação de que o próximo protesto será às 17h, em frente à sede da Rede Globo, na avenida Doutor Chucri Zaidan. O comunicado, assinado pelo próprio presidente da HP no Brasil, Oscar Clarke, pedia para que os funcionários deixassem o prédio “impreterivelmente” até as 15h, quando o escritório seria fechado.

Relatos de funcionários de outras empresas do Cenu apontam que houve uma liberação por parte dos patrões para que a saída para o final de semana fosse antecipada.

Protesto não oficial

O protesto desta sexta-feira é divulgado pelas redes sociais, mas não é confirmado pelo Movimento Passe Livre, que tem organizado os atos na capital paulista. Denominado “Quinto grande ato contra o aumento de tarifas”, o protesto sairia da região onde fica a sede da emissora e seguiria para o Palácio dos Bandeirantes, no Morumbi.

Na página do Facebook do Movimento Passe Livre, o grupo confirma um protesto somente para a próxima segunda-feira, às 17h. Pelo Twitter, simpatizantes do movimento comentam sobre o possível protesto de hoje.

"Estão dizendo por aí que terá um protesto hoje na Berrini em frente a Rede Globo, juro que se for verdade eu colo (sic) lá", disse @PierceTheVii. "E hoje o protesto em São Paulo é em frente à Rede Globo. Não perca", convida a internauta @ElenCAM.

A cidade de São Paulo enfrenta protestos contra o aumento na tarifa do transporte público desde o dia 6 de junho. Manifestantes e policiais entraram em confronto em diferentes ocasiões e ruas do centro se transformaram em verdadeiros cenários de guerra. Enquanto policiais usavam bombas e tiros de bala de borracha, manifestantes respondiam com pedras e rojões.

Durante os atos, portas de agências bancárias e estabelecimentos comerciais foram quebrados, ônibus, muros e monumentos pichados e lixeiras incendiadas. Os manifestantes alegam que reagem à repressão opressiva da polícia, que age de maneira truculenta para tentar conter ou dispersar os protestos.

Segundo a administração pública, em quatro dias de manifestações mais de 250 pessoas foram presas, mais de 250 pessoas foram presas, muitas sob acusação de depredação de patrimônio público e formação de quadrilha. No dia 13 de junho, vários jornalistas que cobriam o protesto foram detidos, ameaçados ou agredidos.

As passagens de ônibus, metrô e trem da cidade de São Paulo passaram a custar R$ 3,20 no dia 2 de junho. A tarifa anterior, de R$ 3, vigorava desde janeiro de 2011.