Contratação de médicos estrangeiros não pode ser tabu, diz ministro

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, defendeu nesta quarta-feira que o governo adote uma solução de curto prazo para o problema da falta de médicos no país. O ministro participou hoje de uma audiência pública nas comissões de Seguridade Social, Constituição e Justiça, Educação e Relações Exteriores da Câmara, onde falou sobre os planos do ministério de atrair médicos estrangeiros para suprir a falta de profissionais no país. 

Padilha afirmou que o assunto não pode ser “tabu” no Brasil e que a prática já é adotada em países como Estados Unidos, Canadá e Austrália. "O ciclo de formação de um médico especialista pode durar até 10 anos. A população brasileira não pode esperar tanto tempo para que aumente o número de médicos no país. Eu como ministro não vou esperar a formação desses médicos para resolver o problema. Essa contratação de médicos estrangeiros seria uma forma transitória: enquanto nosso esforço de abrir mais vagas, estruturar carreiras não surte o impacto necessário, o Ministério da Saúde vai fazer de tudo para atender à necessidade da população", afirmou.

O ministro explicou que todos os países pesquisados pelo governo brasileiro têm, pelo menos, duas formas de atrair e regularizar a permanência dos médicos estrangeiros. Uma delas é o intercâmbio entre universidades de dois países. Outra é a autorização para que o profissional estrangeiro exerça uma atividade específica, como a atuação nas periferias e cidades do interior, principalmente do Norte e Nordeste – áreas mais carentes de médicos no país.

"Dois países são prioritários para nós pela proximidade e cultura, e também por conta da crise econômica: Portugal e Espanha. Nos últimos dois anos, Portugal reduziu em 30% o orçamento da saúde. Na Espanha, a previsão é que quase 20 mil médicos estão sem emprego fixo e formal", disse o ministro.

Padilha admitiu que o país forma poucos médicos que não atendem à demanda. Segundo o ministro, há 1,8 médico para cada mil habitantes e eles estão mal distribuídos. "A distribuição de médicos está diretamente relacionada ao grau de desenvolvimento econômico. Falta alocar mais médicos onde mais precisa: nas regiões mais pobres. Cerca de 700 municípios brasileiros têm menos de um médico por mil habitantes. E a demanda vai aumentar. Queremos aumentar a oferta de cursos nas periferias e no interior, abrir oportunidade para jovens pobres, da periferia, o filho do trabalhador rural, incluí-los nessa profissão nobre que é a medicina", afirmou.