Após ausência em Comissão da Verdade, Marin diz que não tem nada a esconder

A ausência na Comissão da Verdade da Câmara Municipal de São Paulo, que investiga crimes cometidos durante a Ditadura Militas (1964-1985) não incomoda o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), José Maria Marin. Em entrevista nesta quarta-feira à Rádio Bandeirantes, o dirigente disse não ter “nada a esconder” a respeito da morte do jornalista Vladimir Herzog, em 1975, quando era vice-governador do estado de São Paulo. 

No entanto, Marin não mencionou o nome de Herzog em nenhum momento de sua entrevista.

“Não tenho nada a esconder. Eu nunca mencionei esse nome, não vou mencionar agora”, disse Marin, demonstrando insatisfação com um discurso feito pelo então deputado estadual Wadih Helu. Segundo Marin, na época, a TV Cultura – da qual Herzog era diretor de jornalismo – não exibia as obras feitas pelo governo no interior do estado de SP. 

Em sua entrevista nesta quarta-feira, demonstrou irritação com um suposto oportunismo na convocação à Comissão da Verdade.

“Depois disso, fui vice-governador (até 1982), fui governador (até 1983), fui presidente da FPF (1982 a 1988). Agora, porque eu estou no cargo da CBF... Se fosse ainda um fato verdadeiro, mas não tem nada que ver. Nunca mencionei esse nome. O aparte (no discurso de Helu) não tem nada que ver com esse nome. Agora que eu estou na Confederação Brasileira de Futebol, não tenho nada que ver lá. Não me arrependo de nada na minha vida”, acrescentou.

Insatisfeito, Marin relacionou a convocação a uma ação de membros da Comissão da Verdade em busca de votos para as próximas eleições. “Se alguém é candidato a cargo eletivo, que vá trabalhar com seus eleitores para conquistar votos, e não com calúnias”, criticou. “Eu que extingui o DOPS (Departamento de Ordem Política e Social, cuja extinção foi assinada em 1982). Não tem nada a ver com esse episódio. Se alguém deseja ser candidato a qualquer cargo eletivo, no Brasil, que vá trabalhar por isso”, completou.