Procurador teria vazado informações privilegiadas

Alertado, Eduardo Cunha teria interrompido troca de telefonemas

Um relatório de 35 páginas, que investiga o tráfico de influência do deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e do filho do ministro de Minas e Energia, senador Edison Lobão Filho (PMDB-MA) em um milionário esquema de sonegação fiscal operado pelo empresário Ricardo Magro – dono da Refinaria de Manguinhos  -, já está dando o que falar antes mesmo de chegar a seu destino final.

Segundo a revista Veja, o relatório mostra que a polícia seguiu e grampeou por oito meses todos os que gravitavam em torno de Magro. A investigação continuava firme até 2009, quando foi subitamente paralisada. Conforme a reportagem, a interrupção teria sido causada pelo então procurador-geral do ministério Público do Rio, Cláudio Lopes.

A tal “armação” denunciada por Veja teria começado em 18 de setembro de 2009, quando Lopes teria pedido ao promotor David Francisco de Faria, à frente da Coordenadoria de Combate à Sonegação Fiscal do MP estadual, os autos do inquérito em curso. Queixando-se de nunca ter recebido este tipo de ordem, Faria teria acabado por enviar o documento solicitado pelo chefe três dias depois. O procurador teria então telefonado para Eduardo Cunha de seu celular. A ligação não foi gravada, porém teria ficado registrada.

Mais tarde, ainda segundo a revista, Cunha seria visto entrando na sala do procurador. Quando saiu, teria telefonado para Magro e sugerido que ambos passassem a se comunicar por MSN. Dois meses depois, o promotor David Francisco Faria deixou o cargo. Segundo o relatorio da polícia, Cunha tivera de fato acesso aos autos do inquérito, quando tomou conhecimento das interceptações feitas via 'grampos'.

Ainda no exercício de procurador da Justiça, Cláudio Lopes negou ao jornal O Globo, nesta última sexta-feira (29), que tivesse feito qualquer alerta sobre interceptações telefônicas. E ainda classificou as acusações contra ele como “vergonhosas". Disse ter encontrado com Eduardo Cunha duas ou três vezes e garantiu não ter nenhuma intimidade com o deputado peemedebista.

Ainda conforme reportagem de O Globo, Eduardo Cunha teria pedido ao governador Sérgio Cabral e à chefe de Polícia Civil, Martha Rocha, que investigassem a existência do tal relatório, negando que pudesse existir qualquer documento deste tipo que envolvesse seu nome.

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