Em São Paulo, doméstica era obrigada a se prostituir

Uma jovem de 20 anos fugiu de uma chácara de São José do Rio Preto, em São Paulo, depois de ser obrigada a se prostituir e ser proibida de ir embora. Ela havia sido contratada para trabalhar como empregada doméstica, depois de receber um convite quando ainda morava em Cardoso (SP), a 140 quilômetros da cidade. Na última terça-feira, ela conseguiu fugir e foi acolhida por um casal de amigos. A Polícia Civil vai investigar o caso.

"Ela disse que tinha se separado do companheiro e por isso aceitou a proposta, mas que chegando lá, em vez emprego, foi obrigada a se prostituir”, contou a delegada da Mulher de Rio Preto, Dálice Ceron. "Ele ficaram de me pagar R$ 50 por dia, mas não me pagaram nada e me impediram de voltar para casa”, contou ela.

Segundo a jovem, a dona da chácara a proibiu até mesmo de usar o telefone. “Eu não queria fazer isso (prostituição), mas eles me obrigaram. Eles me proibiram de ligar para minha mãe, me escravizaram”, relatou. Ela disse ainda que outras meninas eram usadas para fazer programas sexuais no local.

De acordo com a delegada, a vítima sofre de uma doença psicológica e precisa tomar remédio de uso diário. Além de esconder o remédio, a suspeita também a obrigava a consumir bebidas alcoólicas, contra recomendações médicas.  "Eles a ameaçavam dizendo que a levariam para um hospital psiquiátrico, um sanatório, e ela ficava com medo", afirmou a delegada.

A mulher agenciava programas sexuais para a garota, que aconteciam em motéis e num clube de campo. De acordo com a delegada, o crime de exploração sexual é certo, as acusações de cárcere privado e escravidão ainda necessitam mais investigação. "Precisamos apurar certinho essa história, porque me parece mais que houve o crime de constrangimento. Essa proibição pode ser que não tenha existido, porém, pelo que pudemos apurar, a suspeita é mesmo agenciadora de programas sexuais, inclusive de outras garotas”, afirmou a delegada.