RS: polícia fecha casa de festas durante evento de formatura na capital

Após denúncia, zelo policial foi inspirado na tragédia da Boate Kiss, também no RS

A casa de festas Maison Blanc foi fechada pela Brigada Militar (BM) durante um evento de comemoração de formatura na madrugada deste domingo (17) em Porto Alegre (RS). O estabelecimento fica no número 250 da avenida Goethe, no bairro Rio Branco. 

Os policiais foram até o local depois de uma denúncia anônima de perturbação do silêncio e solicitaram a documentação sobre a regularidade da casa, o alvará e o Plano de Prevenção Contra Incêndio (PPCI). "Então se confirmou que a documentação estava vencida e o proprietário exibiu a notificação que a casa havia sido interditada há menos de um mês em uma vistoria da Smic (Secretaria de Municipal de Indústria e Comércio) e do Corpo de Bombeiros", informou o major André Luís Córdova. 

De acordo o comandante do 9º Batalhão de Polícia Militar (BPM), a casa só poderia ser reaberta após passar por uma nova vistoria dos bombeiros". A festa então foi encerrada por questão de segurança e os responsáveis assinaram um termo circunstanciado por desobediência à determinação dos órgãos competentes. Amanhã, o documento será enviado à Smic, ao Corpo de Bombeiros e à Justiça para que tomem as medidas necessárias. 

O fechamento da Maison Blanc ocorreu durante a força-tarefa da Smic e dos bombeiros, desencadeada na capital gaúcha após o incêndio na boate Kiss que vitimou 241 pessoas em Santa Maria (RS). Após a tragédia, a medida de prevenção foi aplicada em grandes cidades de todo o País. 

Incêndio na Boate Kiss

Na madrugada do dia 27 de janeiro, um incêndio deixou mais de 240 mortos em Santa Maria (RS). O fogo na Boate Kiss começou por volta das 2h30, quando um integrante da banda que fazia show na festa universitária lançou um artefato pirotécnico, que atingiu a espuma altamente inflamável do teto da boate.

Com apenas uma porta de entrada e saída disponível, os jovens tiveram dificuldade para deixar o local. Muitos foram pisoteados. A maioria dos mortos foi asfixiada pela fumaça tóxica, contendo cianeto, liberada pela queima da espuma.

Os mortos foram velados no Centro Desportivo Municipal, e a prefeitura da cidade decretou luto oficial de 30 dias. A presidente Dilma Rousseff interrompeu uma viagem oficial que fazia ao Chile e foi até a cidade, onde prestou solidariedade aos parentes dos mortos.

Os feridos graves foram divididos em hospitais de Santa Maria e da região metropolitana de Porto Alegre, para onde foram levados com apoio de helicópteros da FAB (Força Aérea Brasileira). O Ministério da Saúde, com apoio dos governos estadual e municipais, criou uma grande operação de atendimento às vítimas. 

Quatro pessoas foram presas temporariamente - dois sócios da boate, Elissandro Callegaro Spohr, conhecido como Kiko, e Mauro Hoffmann, e dois integrantes da banda Gurizada Fandangueira, Luciano Augusto Bonilha Leão e Marcelo de Jesus dos Santos. Enquanto a Polícia Civil investiga documentos e alvarás, a prefeitura e o Corpo de Bombeiros divergem sobre a responsabilidade de fiscalização da casa noturna.

A tragédia fez com que várias cidades do País realizassem varreduras em boates contra falhas de segurança, e vários estabelecimentos foram fechados. Mais de 20 municípios do Rio Grande do Sul cancelaram a programação de Carnaval devido ao incêndio.

No dia 25 de fevereiro, foi criada a Associação dos Pais e Familiares de Vítimas e Sobreviventes da Tragédia da Boate Kiss em Santa Maria. A intenção é oferecer amparo psicológico a todas as famílias, lutar por ações de fiscalização e mudança de leis, acompanhar o inquérito policial e não deixar a tragédia cair no esquecimento.