SP: flagrados recebendo propina, fiscais da prefeitura são presos

Dois servidores da subprefeitura de Santo Amaro, em São Paulo, foram presos em flagrante pelo recebimento de propina nesta sexta-feira. Os dois foram alvo de uma ação conjunta da Polícia Civil e da Controladoria Geral do Município (CGM), que começaram a investigação após receber uma denúncia de um empresário que estava sendo extorquido pelos suspeitos no dia 25 de fevereiro. 

Os servidores investigados foram presos em flagrante depois de receber R$ 40 mil em espécie do empresário, que colaborou com as investigações. Toda a operação foi acompanhada por agentes da Polícia Civil e da Controladoria. Durante a operação, a CGM também enviou uma diligência à subprefeitura de Santo Amaro para a apreensão de equipamentos e documentos. 

Segundo o relato do empresário, que realizava uma obra de ampliação de sua empresa, um agente da subprefeitura fiscalizou a obra no dia 15 de fevereiro e determinou o embargo dela por supostas irregularidades na apresentação do Habite-se do imóvel. Segundo ele, uma servidora da subprefeitura que acompanhou a inspeção se ofereceu para “resolver o problema”.

Ainda de acordo com o empresário, a mesma funcionária retornou à obra e estabeleceu uma multa pelas irregularidades no valor de R$ 194 mil, mas disse ao empresário que, caso pagasse R$ 97 mil, a situação seria regularizada.  A multa então ficou suspensa até o posicionamento do empresário.

A CGM e polícia identificaram os dois servidores como um casal. Ambos fazem vistorias em obras, e o homem ocupa cargo de chefia de unidade técnica. Eles compareceram juntos para receber os R$ 40 mil acertados com o empresárop a título de "sinal" da propina, e foram presos em flagrante. 

Haddad condena a ação dos fiscais

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), se manifestou sobre o caso e condenou a atitude dos dois fiscais. “Nós não temos compromisso com outra coisa que não seja a lisura dos processos administrativos”, afirmou Haddad em coletiva de imprensa. “O correto é qualquer cidadão que se sinta prejudicado faça chegar ao conhecimento da administração o que está acontecendo”, completou. 

Os servidores responderão a um Inquérito Administrativo Especial (“Via Rápida”) no Departamento de Procedimentos Disciplinares da PGM, e podem perder seus cargos. Além disso, os suspeitos também podem responder pelos crimes de concussão ou corrupção passiva e lavagem de dinheiro, de acordo com a investigação da polícia