Mercadante culpa 'dados defasados' por posição do Brasil no IDH

O governo brasileiro reagiu ao relatório de Desenvolvimento Humano divulgado nesta quinta-feira pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). O principal dado questionado se refere à jornada escolar e aos anos de escolaridade esperados. Na avaliação do ministro da Educação, Aloizio Mercadante, a atualização de dados defasados poderia fazer com que o Brasil avançasse 20 posições no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH).

"De um lado, o relatório qualitativo é bastante justo com o esforço que o Brasil vem fazendo. E por outro lado, os indicadores continuam parados no mesmo lugar", disse a ministra do Desenvolvimento Social, Tereza Campello, que avalia que os dados utilizados "não só estão desatualizados", como são injustos.

Segundo o relatório do Pnud, a quantidade de anos de escolaridade esperada no País é de 14,4 em 2010. O Ministério da Educação refuta e afirma que o número deveria ser 16,7. Também de acordo com o relatório, no Brasil apenas 26 mil crianças de 5 anos estão matriculadas em escolas. Nas contas do governo, no entanto, o Pnud desconsidera a matrícula de 4,6 milhões de crianças. "Você tem uma projeção dos anos de escolaridade totalmente destorcida", afirmou o ministro da Educação. 

Uma das principais críticas do governo é o uso de dados desatualizados, no caso do Brasil, e de dados atualizados para outras nações, o que poderia distorcer a posição do País no ranking de desenvolvimento humano. De acordo com o Pnud, o Brasil está em 85º lugar, com um IDH de 0,73, entre os 187 países avaliados. O desempenho é pior que de diversos de seus vizinhos, como Argentina, Uruguai, Venezuela e Peru, e outros países latino-americanos, como Costa Rica, México, e Cuba.

O IDH

Noruega, Austrália e Estados Unidos são os primeiros colocados no IDH. Na outra ponta aparecem, a República Democrática do Congo, destruída por conflitos internos, e o Níger, como os países com menor pontuação. O ranking avalia o desenvolvimento humano dos países em três dimensões: vida longa e saudável, acesso à educação e padrão decente de vida.

O relatório destaca a ascensão dos países do Sul, com destaque para Brasil, Chile, Índia e China. De acordo com o estudo, estes países estão "remodelando a dinâmica mundial no contexto amplo do desenvolvimento humano".

"O relatório mostra que alguns países adotaram modelos de desenvolvimento com maior destaque para a participação do Estado e políticas de transferência de renda que tiveram um resultado histórico", disse o representando do PNUD no Brasil, Jorge Chediek, que classificou o Brasil como um dos protagonistas dessa mudança.