Irmão de Mércia considera pena de 20 anos 'branda demais' para Mizael

O irmão de Mércia Nakashima, Márcio Nakashima, afirmou nesta quinta-feira, após a sentença que condenou Mizael Bispo dos Santos a 20 anos de prisão em regime fechado, no Fórum de Guarulhos (SP), que a pena foi considerada pela família como branda demais. Mizael foi condenado pela morte de Mércia em maio de 2010. Ela foi morta a tiros e posteriormente seu corpo foi jogado em uma represa de Nazaré Paulista, no interior de São Paulo.

"A pena acabou sendo muito branda. Logo esse assassino frio, calculista, vai estar na rua entre nós. Minha família ficou meio revoltada. A pena é desproporcional à gravidade do crime, à violência aplicada no crime. A falta que a Mércia vai nos fazer é imensa", disse ele.

Para o irmão de Mércia, não existe pena justa, mas o esperado pela família era uma sentença exemplar. "A impunidade é a grande produtora da criminalidade. Esperávamos uma pena alta, até superior a 30 anos", disse ele.

A previsão é que, dentro de sete anos, Mizael poderá progredir do regime fechado para o semiaberto, em que é possível trabalhar durante o dia e somente dormir na prisão à noite. "Daqui a sete anos ele terá cumprido a sua pena e será um cidadão como nós. Esperamos que o próximo juiz (que julgar o recurso) seja mais rígido e aplique uma pena mais severa", afirmou ele.

Márcio disse que a intenção da família é virar "esse capítulo triste das nossas vidas". "Ele foi condenado por uma coisa que ele praticou, que foi a morte da Mércia", concluiu.

O caso Mércia

A advogada Mércia Nakashima desapareceu no dia 23 de maio de 2010, após deixar a casa dos avós em Guarulhos, e foi encontrada morta no dia 11 de junho, em uma represa em Nazaré Paulista, no interior de São Paulo. A perícia apontou que ela foi ferida a tiros, mas morreu por afogamento quando seu carro foi empurrado para a água.

Ex-namorado de Mércia, o policial militar reformado e advogado Mizael Bispo de Souza, 43 anos, foi apontado como principal suspeito pelo crime e denunciado por homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, emprego de meio cruel e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima.

A Promotoria também denunciou o vigia Evandro Bezerra Silva, que teria o ajudado a fugir do local. Preso em Sergipe dias depois da morte de Mércia, Evandro afirmou ter ajudado Mizael a fugir, mas alegou posteriormente que foi obrigado a confessar a participação no crime, sob tortura. Seu julgamento ocorrerá separadamente, em julho deste ano.