Cidades do MS têm eleições suplementares neste domingo

Campo Grande - Neste domingo, os eleitores de dois municípios de Mato Grosso do Sul voltaram às urnas para eleger prefeitos e vice-prefeitos. As cidades de Bonito, a 260 quilômetros de Campo Grande, e de Sidrolândia, a 300 quilômetros da capital, tiveram eleições suplementares. O pleito de 2012, realizado em outubro, foi anulado porque os candidatos que concorreram com registro de candidatura rejeitado obtiveram mais de 50% dos votos válidos.

O novo prefeito eleito de Bonito é Leonel Lemos de Sousa (PTdoB). A contagem das urnas encerrou-se uma hora e 51 minutos depois do fim do pleito, às 17h (horário local). Conhecido como Leleco, o prefeito eleito teve 50,82% (6.229) dos votos. O candidato derrotado, Odilson Soares, é do PSDB e teve 49,18% (6.027) dos votos.

Na cidade, a abstenção nessas eleições suplementares foi de 21,02% - 3.356 eleitores não compareceram às urnas. O total de votantes registrado pela Justiça Eleitoral foi de 12.606 (78,98%). Votos nulos foram 1,78% (225), e brancos somaram 0,99% (125). Foram considerados 12.256 votos válidos.

A disputa eleitoral em Bonito não foi calma. Três dias antes do pleito, a candidata à vice-prefeita pela coligação Bonito de Todos, de Leleco, Luisa Lima (PR), teve sua candidatura cassada e o vereador Josmail Rodrigues (PTdoB), que era o prefeito interino, ocupou seu lugar. Luisa foi cassada por não ter pagado R$ 5 mil em multas à Justiça Eleitoral relativas às eleições do ano passado. 

Além disso, investigação do Grupo de Atuação e Combate do Crime Organizado (Gaeco), ligado ao Ministério Público Estadual, teve um dos áudios do processo liberado irregularmente e colocou a candidata em maus lençóis. O vazamento ilegal da gravação mostrava Luisa insultando moradores de um bairro de Bonito, o Marambai, e chamando os moradores de "bêbados" e "tranqueiras". O material foi postado na internet e divulgado minutos antes de um comício de Leleco.

O suspeito do vazamento é o vereador Amir Peres trindade (PDT), conhecido como João Ligeiro. Ele é parte de um processo que investiga compra de votos na eleição de outubro de 2012 e tem acesso aos autos. 

O dia do pleito em Bonito foi calmo, com apenas duas prisões por suspeita de compra de votos. Nos dois casos, os envolvidos atuavam pró Leleco.

As eleições suplementares só ocorreram em Bonito porque o prefeito eleito no ano passado, Geraldo Marques (PDT) teve sua candidatura cassada pelo Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TER-MS). O ex-prefeito eleito teve 6.611 votos e alcançou 52,05% dos votos válidos. 

O problema ocorreu na análise das contas de quando foi prefeito da cidade, entre 2001 e 2002. Na época, suas contas foram rejeitadas porque não ele conseguiu comprovar o uso de R$ 14.035,76 que deveriam ser aplicados no Fundo Nacional de Saúde (FNS). Ano passado, Marques se candidatou novamente à prefeitura da cidade, mas respondia ao processo na Justiça por improbidade administrativa, o que o classificava como ficha suja. Assim, no julgamento do TRE-MS, ele foi cassado, e as eleições do município foram anuladas.

Eleições em Sidrolândia

O tucano Ari Basso é novo prefeito eleito de Sidrolândia, com 57,44% dos votos conquistados na eleição suplementar deste domingo. O produtor rural foi o escolhido dos tucanos para substituir na disputa o nome de Enelvo Felini (PSDB), ganhador da eleição regular, mas que foi impedido de tomar posse por ser barrado na Lei da Ficha Limpa – aprovada em 2010 e aplicada pela primeira vez nas eleições de 2012. 

Ele e seu vice, Marcelo Ascoli, ganharam com ampla margem de votos, 13.191 mil, enquanto o adversário, Acelino Cristaldo (PMDB), e sua vice, Eliane Salvatti (PT), tiveram 9.772 votos, o equivalente a 42,56%.  Basso já foi vice-prefeito na gestão de Felini como prefeito de Sidrolândia. Mesmo cassado, Felini foi o coordenador da campanha do prefeito eleito hoje. O médico Marcelo foi escolhido para continuar como vice na chapa; ele integrou a candidatura de Felini em 2012.  

Cristaldo já tinha ficado em segundo lugar na primeira disputa, com 46,19%, mesmo com o apoio da cúpula do PMDB, inclusive do governador André Puccinelli. A votação teve 1,08% de votos em branco e 1,35% de nulos. O índice de abstenção foi de 12,41%, de acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Apesar do clima de hostilidade durante a campanha, o domingo de votação foi de tranquilidade no município. Sidrolândia ganhou reforço na segurança com mais 30 policias militares deslocados da capital. Duas pessoas foram detidas por transporte ilegal de passageiros. 

Na sexta-feira, decisão do TRE-MS encerrou a campanha eleitoral antes do previsto. A determinação teve como justificativa a disputa acirrada entre os candidatos. 

No mesmo dia, foi cumprido mandado de busca e apreensão na casa de Ademir Oshiro, que é coordenador da campanha de Cristaldo. O juiz eleitoral atendeu pedido de Basso, afirmando existir material impresso com a falsa informação de que, caso eleito, Basso também teria a candidatura cassada.

Nova eleição precisou ser feita no município porque o candidato vencedor da disputa, Felini, havia conquistado mais de 50% dos votos, mas teve o registro de candidatura cassado pelo TSE. Ele teve 50,25% dos votos válidos.

Enelvo está na lista de prefeitos com as contas rejeitadas pelo Tribunal de Contas do Estado entre 2004 e 2012. Quando foi prefeito de Sidrolândia, ele teria aplicado índices inferiores aos 60%, obrigatórios em lei, do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef).