Protesto contra reitora impede reunião de conselho da PUC-SP

A reunião mensal do Conselho Universitário (Consun) da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) não pôde ser realizada nesta quarta-feira devido ao protesto de estudantes contra a reitora Anna Cintra Marques Cintra. Os alunos e uma professora entraram na sala de reunião e se sentaram nas cadeiras destinadas aos conselheiros.  É a terceira vez consecutiva que a reunião do conselho é cancelada devido às manifestações.

O próximo encontro está previsto para março, seguindo o calendário acadêmico. Nessas reuniões são decididos assuntos do cotidiano da universidade. Essa foi a primeira reunião do conselho marcada para este ano. Os dois últimos encontros do Consun, previstos para dezembro, também foram cancelados. Hoje, os alunos escreveram em papéis mensagens como "fora Anna Cintra!" e "fora golpistas". Eles também mostravam cópias de um documento assinado pela atual reitora em 2012, se comprometendo a não aceitar o cargo caso não fosse a primeira colocada na eleição acadêmica.

Desde o dia 13 de novembro do ano passado, professores e estudantes da instituição protestam contra a nomeação da professora para o cargo. Segundo a Associação dos Professores da PUC (Apropuc), Anna foi a menos votada na eleição - ficando em terceiro e último lugar -, e foi nomeada pelo cardeal dom Odilo Pedro Scherer, arcebispo de São Paulo e grão-chanceler da universidade. No dia 28 daquele mês, o Consun aprovou um documento que pretendia suspender a posse de Anna Cintra após estudantes questionarem a atitude do cardeal, porém dom Odilo julgou nula de pleno direito a decisão do Conselho e confirmou a nomeação da professora.

A reitoria da PUC-SP divulgou nota sobre a decisão, confira na íntegra:

Pela terceira vez consecutiva, a realização do Conselho Universitário da PUC-SP (Consun) foi impedida. A sessão não foi possível, infelizmente, porque os assentos dos conselheiros foram ocupados por um grupo de alunos e uma professora. Tal ação manifesta recusa ao diálogo com a Reitoria e os conselheiros presentes – havia quórum para realizar a reunião – e desrespeita o Estatuto e o Regimento da Universidade. Além disso, opõe-se também à ordem judicial da 7ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça-SP, que garante à reitora Anna Cintra o “exercício livre e desembaraçado” de suas funções. Não há Estado que se possa chamar de democrático onde a força queira se impor à lei.

A Reitoria dará andamento aos processos pendentes que necessitam de solução urgente. Nossa gestão, legítima, tem se pautado pelo respeito às leis internas e externas; esperamos dar prosseguimento ao debate sobre questões da Universidade com toda a comunidade, o que se dá principalmente por meio dos órgãos colegiados.