'Eu não matei', diz Gil Rugai antes de 2º dia de julgamento em SP

O publicitário e ex-seminarista Gil Rugai - acusado de ter matado o pai, Luiz Carlos Rugai, 40 anos, e a madrasta, Alessandra de Fátima Troitiño, 33 anos, em março de 2004 - chegou na manhã desta terça-feira ao Fórum Criminal da Barra Funda, em São Paulo, negando a culpa pelo crime. "Eu não matei, eu sou inocente", disse o réu. O segundo dia de julgamento estava marcado para começar às 9h30, mas ainda não havia iniciado às 10h10.

Rugai, 29 anos, chegou acompanhado dos advogados. Um deles, Marcelo Feller, afirmou que, nesta terça-feira, a equipe pretende dar continuidade à estratégia da defesa, que é de "desconstruir as provas que a acusação tem contra o Gil Rugai".

Para o advogado, a defesa conseguiu demonstrar que os elementos mostrados ontem pela acusação são "inconsistentes" - tanto o depoimento do vigia Domingos Ramos de Oliveira Andrade, que disse ter visto o réu deixando a casa após o crime, quanto a prova técnica da perícia, que diz que a marca de sapato em uma porta arrombada é compatível com o pé do acusado.

Nesta terça-feira, seis pessoas devem testemunhar, e uma delas é o delegado Rodolfo Chiareli, que chefiou as investigações da Polícia Civil sobre o crime. Para o advogado Marcelo Feller, "o delegado terá que explicar para a defesa a não investigação que ele fez". "Por exemplo, a falta de pericia na guarita do vigia, que foi incendiada. Não sabemos nem se esse incêndio foi criminoso".

Além de Chiareli, deve ser ouvida a última testemunha da acusação, Alberto Bazaia Neto, amigo para quem Luiz Carlos Rugai teria contado que estava com medo do filho. O juiz Adilson Paukoski Simoni disse que quer ouvir ainda quatro das nove testemunhas da defesa. A estimativa é que a sentença seja pronunciada na quinta-feira.

Na noite de ontem, o perito criminal Adriano Yssamu Yonanime, do Instituto de Criminalística de São Paulo, admitiu que há um erro no laudo que aponta o réu como autor do arrombamento da porta da sala onde o pai dele, Luiz Carlos Rugai, foi morto em 28 de março de 2008. Yonanime foi o último a testemunhar no primeiro dia de julgamento, e disse que houve um "lapso".

Já o advogado Ubirajara Mangini Pereira, que representa a família de Alessandra e atua como assistente da acusação, minimizou o lapso e negou que o fato possa prejudicar a análise pericial e, por consequência, enfraquecer as provas da Promotoria. "Não (prejudica o laudo). Porque os cinco peritos, quando concluem o laudo deles, não mencionam em momento nenhum a realidade virtual (vídeo no qual estaria o erro). A perícia deles é efetuada exatamente no pé direito do Gil Rugai, na pegada direita do Gil Rugai, na marca que foi feita (na porta) e no sapato direito", disse.

Além do perito e do vigia, foi ouvido na segunda-feira o médico Daniel Romero Munhoz, professor de medicina legal da Universidade de São Paulo (USP), que confirmou que Gil Rugai tinha uma lesão no pé direito, encontrada após a realização de uma ressonância magnética.