Migração de políticos para novo partido de Marina não é problema, diz Sirkis

Futuro partido pretende atrair a sociedade civil

O deputado federal Alfredo Sirkis (PV-RJ), que já sinalizou o desejo em migrar para o partido político que Marina Silva, ex-senadora pelo Acre, pretende criar, afirmou que a dificuldade de atrair outros políticos para o Rede - nome provisório da nova legenda -, não é problema. Segundo Sirkis, este é o início de um movimento para levar a sociedade civil para a política.

“Não estou tão seguro que a falta de adesão chegue a ser um defeito. Talvez boa parte da população veja como atualidade. Na verdade, o partido está sendo um instrumento para suscitar aqueles que não são políticos e desejam participar de alguma forma. No momento atual da política brasileira, com maior parte da população alimentando um grande descrédito por conta dos últimos acontecimentos no Congresso, não vejo isso como problema”, afirmou o deputado.

Neste sábado (16), simpatizantes que acompanham o processo de criação do novo partido, que, caso se concretize, será o 31º brasileiro, se reúnem em Brasília para definir o nome e lançar o programa político e o estatuto provisório. Estatuto este que é, no mínimo, inusitado, pois defende um limite de 16 anos de mandato para cada filiado, proíbe filiados fichas-sujas e tem a intenção de reservar 30% das vagas do Congresso para candidatos sem partido.

Quanto à proposta de abrir espaço para candidatos apartidários, Sirkis avalia que “é algo interessante”, mas que precisa ser bem discutida a forma como vai funcionar.

“Na verdade, já existe um grande descompromisso dos políticos atuais com seus partidos. O que queremos é que as pessoas que não participam de uma política partidária, mas que queiram sair candidatas em determinada eleição, tenham esse direito. Isso precisa ser bem esmiuçado para se avaliar até que ponto será algo real. A intenção é a melhor possível”, ressalta Sirkis.

Ainda de acordo com o deputado, a legenda pretende representar no cenário político brasileiro “o espaço que foi desbravado e esboçado pela candidatura da Marina em 2010, quando ela teve mais de 19% dos votos, buscando medidas sustentáveis e éticas”.

Além de Sirkis, os parlamentares Walter Feldman (PSDB-SP) e Domingos Dutra (PT-MA), também já disseram aceitar trocar seus partidos pela nova legenda da ex-senadora Marina Silva. Os três vão participar da fundação.

Eleições de 2014 é dúvida

Segundo Sirkis, alcançar as 500 mil assinaturas em nove estados, número exigido por lei para criar um partido político, será relativamente fácil, “até pelos 600 mil seguidores que a Marina tem nas redes sociais”.

“O obstáculo será superar a hiper burocracia do sistema cartorial brasileiro. Talvez não dê tempo de participar das eleições em 2014, porque não depende só do voluntariado. Depende da burocracia do país e também não haverá boa vontade dos políticos, ao contrário do que aconteceu com a criação do PSD”, afirmou Sirkis.

Todo o processo de formação da nova legenda tem que ser concluído até outubro deste ano. Caso contrário, os filiados não poderão participar do pleito em 2014.

*Do Programa de Estágio do Jornal do Brasil