RJ: testemunha de caso Acioli usa colete à prova de balas até em casa

O inspetor Ricardo Henrique Moreira causou algum espanto ao entrar na sala de julgamento do 3º Tribunal do Júri de Niterói, na região metropolitana do Rio de Janeiro, nesta terça-feira. O motivo: o colete à prova de balas que permaneceu vestindo durante seu depoimento como testemunha do julgamento de três acusados da morte da juíza Patrícia Acioli - mesmo em local considerado seguro e com reforço na segurança.

Moreira também se considera ameaçado. "O Gate (Grupo de Ações Táticas Especiais) do 7º BPM (São Gonçalo) se autointitulava o Bonde dos Neuróticos. Não era sem motivo. Já recebi ligações dizendo inclusive o dia em que eu seria morto", afirmou o inspetor.

Na época em que a juíza foi morta, ele fazia investigações na 72ª DP e estava na mesma lista de ameaçados de Patrícia. "Desde então eu uso colete à prova de balas até mesmo dentro de casa." Nesta terça-feira começou em Niterói o julgamento de três policiais militares acusados de participação no assassinato da juíza. Jeferson de Araujo Miranda, Júnior Cezar de Medeiros e Jovanis Falcão Junior são acusados de homícidio triplamente qualificado, cuja pena pode chegar até 30 anos de prisão, além de formação de quadrilha.

Condenações

O caso teve a primeira condenação em dezembro do ano passado quando o cabo da polícia militar Sérgio Costa Junior, réu confesso, foi condenado a 21 anos de prisão. Ele admitiu ter atirado 15 vezes na juíza e obteve a delação premiada, que diminuiu em 15 anos a sua pena. A Justiça ainda não tem data para os julgamentos dos dois principais acusados do crime: o tenente-coronel Cláudio Luiz Silva de Oliveira, que comandava o 7º BPM (São Gonçalo) na época do assassinato e teria sido o mandante do assassinato, e o tenente Daniel dos Santos Benitez, que chefiava diretamente o grupo de PMs acusados do crime.

Juíza estava em "lista negra" de criminosos

A juíza Patrícia Lourival Acioli, da 4ª Vara Criminal de São Gonçalo, foi assassinada a tiros dentro de seu carro, por volta das 23h30 do dia 11 de agosto, na porta de sua residência em Piratininga, Niterói, na região metropolitana do Rio de Janeiro. Segundo testemunhas, ela foi atacada por homens em duas motos e dois carros.

Foram disparados mais de 20 tiros de pistolas calibres 40 e 45, sendo oito diretamente no vidro do motorista. Patrícia, 47 anos, foi a responsável pela prisão de quatro cabos da PM e uma mulher, em setembro de 2010, acusados de integrar um grupo de extermínio de São Gonçalo. Ela estava em uma "lista negra" com 12 nomes possivelmente marcados para a morte, encontrada com Wanderson Silva Tavares, o Gordinho, preso em janeiro de 2011 em Guarapari (ES) e considerado o chefe da quadrilha.

Familiares relataram que Patrícia já havia sofrido ameaças e teve seu carro metralhado quando era defensora pública. Investigações apontaram a participação de policiais no crime e, dessa forma, foram denunciados à Justiça 11, que serão levados a júri popular.

Todos respondem por homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, mediante emboscada e com o objetivo de assegurar a impunidade do arsenal de crimes) e, a exceção de um, também são acusados de formação de quadrilha armada.

Entre os indiciados está o tenente-coronel Cláudio Oliveira, que na época comandava o Batalhão da Polícia Militar de São Gonçalo, onde era lotado todo o grupo suspeito. No inquérito, ele é apontado como o mentor da execução.