Santa Maria: dono de boate com prisão decretada se apresenta à polícia

Sócio da Kiss e dois integrantes da banda também foram detidos

Um dos proprietários da Boate Kiss - local onde ocorreu o incêndio que vitimou mais de 230 pessoas em Santa Maria - se apresentou à polícia na tarde desta segunda-feira. Mauro Hoffman e outras três pessoas tiveram o pedido de prisão decretada pelo juiz de Direito plantonista no Foro de Santa Maria, Régis Adil Bertolini. Ele era o único que ainda não havia sido detido. 

As outras três prisões haviam sido efetuadas ainda na manhã de hoje pela polícia. Além de Hoffman, o também dono da casa noturna Elissandro Callegaro Sphor foi preso sob custódia em um hospital de Cruz Alta, onde se encontra internado. Os outros dois detidos fazem parte da banda Gurizada Fandangueira: o vocalista Marcelo de Jesus dos Santos e o produtor Luciano Augusto Bonilha Leão.

De acordo com a Justiça, a medida atende pedido da autoridade policial para que não haja interferência nas investigações. Segundo a polícia, houve o desaparecimento dos equipamentos com imagens do interior da boate no momento da tragédia.

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A prisão temporária das quatro pessoas será por cinco dias, prorrogável por igual período. "Não se mostra razoável, por ora, prolongar o prazo por 30 dias, salvo se outros motivos surgirem durante o inquérito policial", diz a nota divulgada pelo Tribunal de Justiça. 

Incêndio na Boate Kiss

Um incêndio de grandes proporções deixou mais de 230 mortos na madrugada deste domingo em Santa Maria (RS). O incidente, que começou por volta das 2h30, ocorreu na Boate Kiss, na rua dos Andradas, no centro da cidade. O Corpo de Bombeiros acredita que o fogo iniciou com um sinalizador lançado por um integrante da banda que fazia show na festa universitária.

Segundo um segurança que trabalhava no local, muitas pessoas foram pisoteadas. "Na hora que o fogo começou foi um desespero para tentar sair pela única porta de entrada e saída da boate e muita gente foi pisoteada. Todos quiseram sair ao mesmo tempo e muita gente morreu tentando sair", contou. O local foi interditado e os corpos foram levados ao Centro Desportivo Municipal, onde centenas de pessoas se reuniam em busca de informações.

A prefeitura da cidade decretou luto oficial de 30 dias e anunciou a contratação imediata de psicólogos e psiquiatras para acompanhar as famílias das vítimas. A presidente Dilma Rousseff interrompeu viagem oficial que fazia ao Chile e foi até a cidade, onde se reuniu com o governador Tarso Genro e parentes dos mortos.