Familiares enterram irmãos que morreram juntos em tragédia

Dois únicos irmãos de uma mesma família foram sepultados, na manhã desta segunda-feira, em Santa Maria, cidade onde um incêndio ocorrido na madrugada de domingo deixou mais de 230 mortos. Pedro e Marcelo Salas, 17 e 20 anos, respectivamente, estavam entre os primeiros enterrados na manhã desta segunda-feira. 

"Eram dois meninos fantásticos, companheiros, alegres, é uma perda que não se repara, ainda mais para uma família que perdeu dois filhos”, disse Timóteo Fonseca, amigo dos rapazes.

Pedro tinha acabado de passar no vestibular para o curso de Agronomia, mas não chegou nem a começar as aulas. Marcelo cursava Direito e estava prestes a se formar. A família estava muito abalada e todos que acompanhavam o cortejo dentro do cemitério choravam muito pela perda de duas pessoas tão jovens.  

O delegado de polícia da cidade de Agudo, Eduardo Machado, era parente dos rapazes. Ele passou toda a noite trabalhando na força-tarefa que liberou os corpos, e interrompeu os trabalhos para sepultar os jovens, que eram sobrinhos de sua mulher. “Eu vi isso a noite inteira, tenho colegas que perderam duas filhas, vi pais reconhecer três filhos”, relatou. 

Incêndio na Boate Kiss

Um incêndio de grandes proporções deixou mais de 230 mortos na madrugada deste domingo em Santa Maria (RS). O incidente, que começou por volta das 2h30, ocorreu na Boate Kiss, na rua dos Andradas, no centro da cidade. O Corpo de Bombeiros acredita que o fogo iniciou com um sinalizador lançado por um integrante da banda que fazia show na festa universitária. Segundo um segurança que trabalhava no local, muitas pessoas foram pisoteadas. 

"Na hora que o fogo começou foi um desespero para tentar sair pela única porta de entrada e saída da boate e muita gente foi pisoteada. Todos quiseram sair ao mesmo tempo e muita gente morreu tentando sair", contou. O local foi interditado e os corpos foram levados ao Centro Desportivo Municipal, onde centenas de pessoas se reuniam em busca de informações. 

A prefeitura da cidade decretou luto oficial de 30 dias e anunciou a contratação imediata de psicólogos e psiquiatras para acompanhar as famílias das vítimas. A presidente Dilma Rousseff interrompeu viagem oficial que fazia ao Chile e foi até a cidade, onde se reuniu com o governador Tarso Genro e parentes dos mortos.