Preso suspeito de manter homens em condição de trabalho escravo em SC

A Polícia Civil de Santa Catarina prendeu na terça-feira em flagrante Valdecir Antunes Rodrigues, conhecido por “Marrom” ou “Gato”, por manter 10 homens, incluindo um adolescente de 16 anos, trabalhando com o corte de eucalipto, em condições análogas a de escravo. Os trabalhadores foram todos resgatados da situação considerada subumana que se encontravam em uma fazenda no bairro Vila Nova, município de Ituporanga. 

Baseada em uma denúncia, a investigação foi coordenada pelos delegados Nelson Vidal e Gustavo Reis. De acordo com a polícia, as vítimas eram obrigadas a morar no local, tinham péssimas condições trabalho e a jornada diária era de 10h a 12h. Nenhum deles era registrado e recebiam quantia ínfima pela função desempenhada - enquanto o preço de mercado para este tipo de serviço é de R$60,00 a R$100, os trabalhadores recebiam R$ 30. Muitas vezes, os funcionários eram pagos na forma de “vale”.

Os homens moravam em um galpão desprovido de paredes laterais, sem banheiro. Segundo a investigação, havia apenas um local improvisado para eles realizarem suas necessidades fisiológicas. O banho, quando realizado, era por meio de um cano com água gelada, e os poucos gêneros alimentícios ficavam em cima de uma madeira. Não havia mesa ou despensa. Os trabalhadores também não contavam com material de proteção no corte de pinus, como bota, capacete, luvas. 

De acordo com a investigação, “Marrom” era o intermediário do crime, que recrutava os trabalhadores no município de Pinhão (PR) e trazia-os para Santa Catarina. Apesar da situação semelhante à escravidão, nenhuma das vítimas denunciava o crime por medo de “Marrom” e, por isso, também não saiam do trabalho. Segundo o delegado Vidal, há suspeita de envolvimento de dois grandes empresários da região, proprietários das terras onde os homens trabalhavam e moravam.