Incra exige desocupação do Instituto Lula para retomar negociação

O presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Carlos Guedes, divulgou nota oficial em que afirma sua disposição de negociar com os assentados que invadiram a sede do Instituto Lula, em São Paulo, na manhã desta quarta-feira, desde que o grupo desocupe o prédio.

Cerca de 100 moradores do assentamento Milton Santos, localizado em Americana, no interior de São Paulo, invadiram o Instituto Lula, no Ipiranga, na zona sul de São Paulo, na manhã desta segunda-feira. Segundo o movimento, o ato é um protesto contra a decisão judicial que decidiu pela desocupação da área até o dia 30 de janeiro. No local, de acordo com o movimento, vivem 70 famílias que foram assentadas em 2006, durante o mandato do ex-presidente.

A coordenação do movimento afirmou que a intensão era de que Lula se manifestasse, ou até mesmo falasse com a presidente Dilma Rousseff sobre a questão. "Nosso assentamento foi criado durante o governo Lula e naquela época o governo federal falou que iria nos ajudar. Ontem, uma liminar do governo para que as famílias fossem mantida no local foi negada pela Justiça, e nos deram o prazo para sair até o final do mês", disse Paulo Albuquerque, um dos líderes da ocupação.

"O Incra e o MDA (Ministério do Desenvolvimento Agrário) sempre mantiveram as portas abertas ao diálogo com os movimentos sociais e os assentados em questão. Desta forma, o presidente do Incra, Carlos Guedes, se coloca à disposição dos movimentos sociais para recebê-los na sede regional do Incra, em São Paulo, desde que os seus integrantes deixem os locais ocupados nesta quarta-feira", diz a nota.

No texto, Carlos Guedes e o ministro do Desenvolvimento Agrário, Pepe Vargas (PT), "reafirmam o compromisso do governo federal em realizar todos os esforços e as medidas necessárias para a permanência dos assentados no referido assentamento".

Instituto Lula diz que não vai intervir

Mais cedo, em entrevista concedida em frente ao Instituto Lula, o ex-ministro Luiz Dulci, diretor da ONG, afirmou que a entidade não pretende intervir junto ao governo para atender à demanda dos manifestantes. Segundo Dulci, apesar de considerar justa a causa dos assentados, o instituto não pode interferir em decisões que cabem ao governo.

"Nós esperamos que o movimento entenda que, se queria dar visibilidade à causa, talvez já tenha conseguido o seu objetivo. O instituto não interfere em decisões de governo. Não só nessa área, como em nenhuma outra", afirmou o ex-ministro.