Paes e Cabral reúnem bancada do Rio em apoio a Henrique Eduardo Alves 

Metade dos deputados federais da bancada fluminense participaram do almoço organizado para selar o apoio ao peemedebista Henrique Eduardo Alves (RN) na eleição para a presidência da Câmara dos Deputados. O governador Sérgio Cabral e o prefeito Eduardo Paes, companheiros de partido, prestigiaram o encontro e discursaram pedindo o comprometimento dos parlamentares com a chapa de Alves e exaltando suas qualidades.

Ao todo, 22 titulares e três suplentes participaram do encontro, que custou a cada um dos presentes R$ 150. Além deles, secretários de estado, vereadores e outras personalidades políticas também foram convidados.

O mestre de cerimônias foi o deputado federal Hugo Leal (PSC-RJ), coordenador da bancada do Rio e um dos organizadores do encontro, que também discursou, pedindo que o futuro presidente se comprometa a ter uma postura isenta nas questões federativas, notadamente a questão dos royalties:

"Obviamente, ele não assumiu um compromisso mais veemente. Se o fizesse, ganharia os 46 votos (do Rio de Janeiro) e perderia todos os outros", brincou Leal.

Alves foi o último a falar e deu ênfase à sua experiência de 11 mandatos na Câmara. Ele ressaltou que quer ser lembrado como "parte da casa", com os erros e acertos que ela possa ter, e defendeu-se das denúncias que vem sendo publicadas na imprensa nas últimas semanas. "Fogo amigo ou inimigo, não importa, agora é apagar o incêndio", explicou.

Ele disse que a polêmica envolvendo a contratação da empresa de um de seus assessores por prefeituras que receberam dinheiro de suas emendas parlamentares "já está encerrada", mas foi retirado por assessores quando novas perguntas sobre o tema foram feitas pelos jornalistas que acompanhavam o almoço.

"Ele [o assessor] realizou um bom trabalho, mas percebeu que estava gerando distorções políticas, embaraço e saiu. A minha parte é buscar e viabilizar recursos para o meu estado. Eu faço isso de maneira correta, tanto que tenho 11 mandatos”, defendeu-se, antes de deixar o restaurante.

À mesa, sem conversa

Apontado por parlamentares próximos a Alves como um dos possíveis "autores" do fogo amigo, o deputado federal Eduardo Cunha (RJ), que disputa a liderança do PMDB, sentou-se na mesma mesa que Alves, mas os dois não mantiveram muito contato durante o almoço. Cunha limitou-se a definir o encontro entre os dois como "amistoso, como sempre" e explicou que não estava em campanha, pois tinha o apoio de todos no PMDB do Rio:

"Ninguém é candidato de si mesmo. Eu sou candidato da minha bancada. Por isso, não preciso reforçar nada, já conto com o apoio de todos", explicou.

Alves surpreendeu a muitos ao revelar que é carioca. Filho do ex-deputado e governador do Rio Grande do Norte Aluísio Alves, ele nasceu durante o mandato do pai na então capital federal. A informação foi exaltada pelo governador Sérgio Cabral, que brincou com o fato. Leal também o interpelou a respeito, em tom jocoso, dizendo que este era "mais um motivo para ajudar o Rio" na questão dos royalties.

Para cativar os colegas, o parlamentar nordestino distribuiu uma relação de propostas em que se compromete tirar do papel as Emendas Constitucionais que tornam o orçamento impositivo, obrigando o governo a liberar os recursos aprovados no Congresso.