SP: enterro de grávida baleada tem tristeza e revolta de amigos  

O enterro de Daniela Nogueira, 25 anos, assassinada durante uma tentativa de assalto na noite da última terça-feira na zona sul da capital paulista, foi marcado por muita tristeza e revolta das cerca de 250 pessoas que compareceram à cerimônia, em Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo. Daniela, que estava grávida de nove meses, teve na quinta-feira a sua morte cerebral anunciada. Sua filha, Gabriela, nasceu em um parto de emergência na noite da própria terça-feira e passa bem. A famíla decidiu doar os órgãos da vítima. Rins, pâncreas e fígado serão utilizados em futuros transplantes.

A professora Marisa dos Santos Alves Ferreira, 52 anos, conviveu por muitos anos com Daniela. Moradora da Cohab Adventista, também na zona sul, ela conheceu a vítima quando ela ainda era criança.

"Conheço ela desde os 3 anos de idade. Estamos com o coração em frangalhos. Não consigo nem sentir raiva do assassino. O que queremos agora é justiça e paz. O que aconteceu é uma pena, uma pena irreparável", disse. A professora conta que Daniela se casou há quatro anos e que a gravidez de Gabriela foi planejada nesse período. "O parto estava marcado para o dia 18 e ela estava muito feliz. Foi tudo programado", disse ela.

Roseli Moreira Alves, 42 anos, amiga de Daniela, contou que não acredita ter perdido a amiga, com quem trabalhou. Ambas moravam no mesmo condomínio e costumavam fazer academia juntas. "Éramos muito amigas. Ali na região costuma ter muito assalto, mas ela parou o carro a cerca de 30 m da portaria do condomínio. Não imaginou que pudesse acontecer isso."

Roseli afirma que a opção de deixar o carro na rua era da vítima. A família só tinha uma vaga no condomínio, onde ficava guardado o carro do marido. "Ela tinha um pouco de dificuldade para estacionar, pois as vagas são pequenas. Então era opção dela deixar o carro fora", diz.

O corpo foi enterrado sob aplausos.

Na manhã desta sexta-feira, nos arredores da casa da vítima, as residências amanheceram com panos brancos na janela, pedindo paz na região. Durante o velório também foram distribuídas fitas brancas, que foram usadas por aqueles que acompanharam o enterro. Boa parte das pessoas também vestiu a cor branca.

Durante o velório foi estendida uma grande faixa - também branca - com a inscrição "paz", além de cartazes pedindo justiça. A polícia ainda investiga o caso. Entre ontem e hoje pelo menos cinco suspeitos foram averiguados, mas nenhum deles foi reconhecido como o assassino.