Kassab é cobrado em ação por uso de R$ 9 milhões em processo contra Maluf

Ao tentar repatriar os cerca de R$ 45 milhões que teriam sido desviados de uma obra pública em São Paulo durante a gestão do então prefeito Paulo Maluf, a prefeitura e o ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD) se tornaram alvo de uma ação civil pública. Proposta pela Federação das Associações dos Advogados do Estado de São Paulo (Fadesp) em dezembro, o documento afirma que a prefeitura contratou um escritório estrangeiro para conduzir o caso sem fazer um processo de licitação e pede a anulação do contrato, que já pagou R$ 9,7 milhões pelo serviço. 

A associação alega que esse valor representa quase 25% do montante que deveria ser repatriado e acusa Kassab de improbidade administrativa por ter dado autorização para o gasto. As informações foram publicadas no jornal O Estado de S. Paulo.

O escritório britânico Lawrence Graham foi contratado para defender a prefeitura em Jersey em maio de 2005. O processo de escolha começou na gestão Marta Suplicy (PT). Em nota, a prefeitura afirmou que ainda não foi notificada sobre a ação e que o contrato com o escritório britânico foi firmado após aprovação pela Procuradoria-Geral do Município e orientação da Advocacia Geral da União. 

A assessoria do PSD, partido de Kassab, disse que não iria comentar o assunto, pois não tinha conhecimento da ação. Os recursos desviados na gestão Maluf foram transferidos para contas de duas empresas offshore vinculadas a Maluf na Ilha de Jersey, um paraíso fiscal britânico. Em novembro do ano passado, em sentença final, a Corte de Jersey ordenou que o dinheiro desviado seja devolvido.