SP: polícia ouve garçons e amigos de jovem que foi morto por R$ 7

Dois garçons e o caixa que trabalhavam no restaurante de Guarujá, no litoral de São Paulo, no qual um universitário foi assassinado a facadas após discussão por uma diferença de R$ 7 no valor da conta na última segunda-feira começaram a ser ouvidos na delegacia da cidade na tarde desta sexta-feira. Na próxima semana, a polícia irá a Campinas para colher o depoimento de mais quatro pessoas, desta vez da parte da vítima.

"Semana que vem vamos ouvir cerca de quatro pessoas da parte da vítima, em Campinas, e depois provavelmente faremos uma reconstituição do crime", explicou Paulo Carvalhal, investigador do caso.

José Adão Pereira dos Passos, 55 anos, e seu filho Diego Souza Passos, 23 anos, prestaram depoimento à Polícia Civil na última quarta-feira e foram liberados. Acompanhados do advogado e com a faca que teria sido usada no crime, eles relataram suas versões e alegaram legítima defesa. Conforme a polícia, José Adão, proprietário do restaurante Casa Grande, confessou ser o autor das facadas.

O estabelecimento já incumbiu um advogado para cuidar do caso e iniciou os depoimentos desde quinta. A polícia descarta, temporariamente, a prisão preventiva, devido à falta de pedido e ao fato de os acusados terem se apresentado 24 horas após o crime, sem a caracterização de flagrante.

"Por enquanto não foi pedida a prisão. Eles confessaram o crime, acabaram entregando a arma que já está conosco. Claro que monitoraremos se vão gerar algum problema ou ameaças", explicou Carvalhal, que disse que a polícia não teve acesso às imagens de segurança.

Mario dos Santos Sampaio foi sepultado na quarta-feira no Cemitério da Saudade, em Campinas (SP). A vítima foi morta com duas facadas na noite de segunda-feira no restaurante. Estudante de Administração e morador de Campinas, ele chegou a ser socorrido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), mas não resistiu aos ferimentos.

Segundo a namorada de Mário Sampaio e dois amigos, que afirmaram ter presenciado o crime, a agressão ocorreu por causa da diferença de R$ 7 no preço da refeição. O publicitário Rauany Neves Farias disse que o valor da refeição divulgado pelo estabelecimento era R$ 12,99, mas, na hora de pagar, a conta foi de R$ 19,99.

Segundo ele, o universitário ficou indignado com a alteração do valor da comida - ele relatou que, quando todos chegaram, o preço estampado nas placas fixadas fora e dentro do restaurante era R$ 12,99, mas foi alterado durante a refeição. Farias contou que Sampaio reclamou da mudança de preço e, por causa disso, houve uma discussão com o caixa, que chamou o gerente, Diego Souza Passos. Os amigos do universitário contaram à polícia que o filho do dono do restaurante ameaçou o grupo, dizendo que a questão seria "resolvida do lado de fora" do estabelecimento.