Com secretariado eclético, Haddad começa a encarar realidade

Quando assumir amanhã a cadeira de prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT) começará a trabalhar com a realidade da cidade, bem diferente daquela apresentada nos programas eleitorais. Ainda em janeiro, que promete ser chuvoso, deve enfrentar as primeiras enchentes, ouvirá reclamações sobre o aumento na tarifa de ônibus e vai iniciar a sua trajetória para colocar em prática aquilo que prometeu em campanha.

Para a missão, montou um secretariado eclético. Escalou um time de técnicos de sua confiança para postos estratégicos e dividiu o restante das pastas entre seus companheiros de partido e os aliados de campanha. De todos, 11 não têm filiação partidária, mas dois deles foram indicados pelos aliados: José Floriano de Azevedo Marques Neto, que assumirá a Secretaria de Infraestrutura Urbana e Obras, indicado pelo PP de Paulo Maluf, e Roberto Porto, indicado pelo vice-presidente da República Michel Temer (PMDB) para a Segurança Urbana. Outros nove estão divididos entre seis partidos. O PT ficou com oito secretarias, entre elas Saúde e Transportes, que têm maior orçamento.

Como já era esperado, o vereador e coordenador de campanha do petista, Antonio Donato, será o secretário de Governo. Além dele, Haddad anunciou a escolha da professora Leda Paulani (secretária de Planejamento, Orçamento e Gestão), o advogado Luís Fernando Massonetto (secretário de Negócios Jurídicos), o consultor Marcos de Barros Cruz (secretário de Finanças) e o arquiteto Fernando de Mello Franco (secretário de Desenvolvimento Urbano).

Donato é o atual presidente do Diretório Municipal do PT de São Paulo. Na gestão de Marta Suplicy, ele foi secretário de Transportes e assessor especial do Gabinete da ex-prefeita. Também foi secretário das Subprefeituras em 2003, ano da criação da pasta. Ele, inclusive já costurou apoio para que o partido fique com a presidência da Câmara Municipal.

"Debatemos a apresentação de um método para a construção da Mesa da Câmara, o princípio de proporcionalidade entre os partidos. O maior, o PT, terá a presidência; o segundo maior, o PSDB, terá a primeira-secretaria, e assim por diante, para que a gente tenha uma unidade no parlamento, respeitando oposição e situação", disse.

Entre os principais desafios de sua equipe - que foram insistentemente abordados na campanha - Haddad terá a missão de reduzir o tempo gasto pelo paulistano no trânsito com a construção de novos 150 km de corredores de ônibus e a criação do Bilhete Único mensal. Com mais rapidez e um preço fixo, o governo pretende diminuir o número de carros em circulação diariamente.

Na área de educação, tem a promessa de garantir ensino integral para todos e ampliar o número de vagas em creches, o que em parte já foi iniciado por Gilberto Kassab, que não deverá ser atacado pelo seu sucessor, já que o seu PSD deve integrar a base aliada do governo Dilma Rousseff.

Haddad foi o primeiro candidato a estipular metas e apresentar planos, com orçamento e origem dos recursos, ainda na primeira quinzena de agosto. Entre as principais promessas, estão a rede de saúde Hora Certa e o programa Arco do Futuro - programa apresentado durante a campanha eleitoral que tem a intenção de equilibrar a oferta de moradia e de empregos em uma mesma região da cidade. Para a missão, ele deve contar com a boa vontade de presidenta Dilma Rousseff, que deverá enviar recursos para bancar os projetos de seu colega de partido.