Prestes a sair, Kassab fala em 'frustrações', mas vê SP 'melhor'

Às vésperas de deixar o cargo que ocupa desde 2006, o prefeito Gilberto Kassab (PSD) lamentou as "frustrações" com os projetos não concluídos, mas disse que deixa para o prefeito eleito Fernando Haddad (PT), que toma posse na próxima terça-feira (1º), "uma São Paulo melhor". Kassab, que já esvaziou o gabinete no Palácio do Anhangabaú, participou neste sábado da inauguração de dois conjuntos habitacionais no bairro de Real Parque, na zona sul, onde afirmou que terá compromissos "até o último minuto do dia 31".

"(Faço) Um balanço muito favorável (da gestão), muito positivo. (Saio com) A frustração de não poder ter feito muita coisa, a alegria e o orgulho daquilo que foi feito. (...) Conseguimos avanços em todos os setores", afirmou. "(As marcas) Mais frustrantes são as impossibilidades de atender desejos e vontades que tínhamos de contribuir para melhorar a cidade de São Paulo, em alguns aspectos por conta do tempo, por conta dos recursos, por conta das licitações, da burocracia, não puderam ser atendidos. Nos marca muito essas frustrações", completou, em tom de despedida.

Kassab deixa o cargo com 55% das metas concluídas – 123, de um total de 223 propostas no início do segundo mandato –, mas argumenta ter atingido um "índice de eficiência" de 81%, considerando a evolução dos projetos ainda em andamento. Entretanto, seu índice de aprovação é baixo: 42% dos paulistanos avaliaram como ruim ou péssima a gestão, e apenas 20% disseram considera-la ótima ou boa, segundo a pesquisa mais recente divulgada pelo Instituto Datafolha.

Sobre a má avaliação, o prefeito prefere não opinar. Questionado se acha justa a avaliação, ele desconversou e limitou-se a dizer que com a “certeza do dever cumprido", listando as realizações de seus dois mandatos.

"Só falta agora alguém imaginar que uma cidade depois de 200 mil famílias serem beneficiadas (por projetos) de urbanização. (...) Só falta alguém imaginar que a cidade não melhorou. Avançamos. O importante é que cada gestão, cada gestor avance o possível. E dessa maneira, de 4 em 4 anos, no nosso caso em 8 anos, a gente deixa uma cidade melhor. (...)  Saio feliz com a gestão", avaliou Kassab.

Próxima gestão

Neste sábado, o prefeito entregou cerca de 600 dos 1.300 novas unidades habitacionais, cujas obras fazem parte do projeto de reurbanização da favela Real Parque, localizada dentro do Morumbi. A previsão da prefeitura é que os outros apartamentos sejam concluídos pela próxima gestão em até 18 meses.

Sobre as propostas já anunciadas pelo prefeito eleito Haddad, sobretudo as alterações na inspeção veicular – como a mudança no perfil dos carros inspecionados e o fim da cobrança da taxa –, Kassab também não quis opinar, limitando-se a desejar "boa sorte" para o sucessor.

"Em relação à questão técnica eu não vou me manifestar porque eu não sou técnico, seria indevido. Deixo esse debate para o campo técnico, existem os ambientalistas, existem os técnicos que poderão se posicionar. Em relação à cobrança, é uma questão política. É uma proposta dele, portanto é uma questão de plano de governo, e não vejo nenhum problema ele tirar do orçamento. Eu não tirei, assim como eu acho que não deva ser retirado esse recurso de quem não é proprietário, mas ele acha que deve, então cada um pensa do jeito que é o correto", afirmou.