Chefe da CGU: ninguém deve se 'iludir' com julgamento do mensalão

O ministro-chefe da Controladoria-Geral da União (CGU), Jorge Hage, afirmou nesta sexta-feira que ninguém deve se iludir com as condenações do julgamento do mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF), que, segundo ele, não garante maior celeridade nem efetividade em futuros processos sobre corrupção. 

"Não há que se iludir, ninguém, com o recente e badalado julgamento da ação penal 470. Isso não garante nada, em termos de ter a punibilidade, pela via judicial, para melhorar nosso país. Não se alterou uma vírgula do regramento processual. Os milhares de processos que tramitam hoje em todas as instâncias da justiça brasileira continuam regidos pela mesma regra. O ritmo continuará o mesmo", enfatizou.

Após enaltecer os avanços promovidos pelo governo na área de combate à corrupção, Hage ressaltou que o ritmo da Justiça atual é um dos responsáveis pela sensação de impunidade. A demora, segundo ele, não é de responsabilidade dos juízes, e sim da própria legislação, que, ao dar brecha para inúmeras possibilidades de recursos, leva processos a demorarem mais de dez anos para serem efetivamente julgados.

"O julgamento da ação penal 470 se concluiu num tempo recorde, de sete anos, mas não vai ter reflexo nos outros lugares. Isto ocorreu em sete anos, primeiro, porque alguns dos acusados, eu não estou fazendo nenhuma ironia, tinham privilégio de foro. Esse privilégio perverso de foro permitiu a possibilidade de a ação se concluir num rapidíssimo tempo de sete anos, somada, claro, à enorme pressão da imprensa sobre a Corte Suprema", disse o ministro.