Indiciados pela PF na Porto Seguro trocam farpas por e-mail

Novos trechos de e-mails interceptados pela Polícia Federal durante a Operação Porto Seguro mostram detalhes da engenharia financeira da quadrilha suspeita de vender pareceres e fazer tráfico de influência. Nas conversas, os integrantes do grupo usavam mecanismos para enganar os órgãos de fiscalização. As trocas de mensagens também mostram que a relação entre os investigados nem sempre foi tranquila. O Jornal Nacional teve acesso a novos relatórios da PF, que revelam que a relação da suposta troca de favores entre Rosemary Nóvoa de Noronha, ex-secretária do escritório da Presidência da República em São Paulo, e Paulo Rodrigues Vieira, ex-diretor de Hidrologia da Agência Nacional de Águas (ANA), nem sempre foi amistosa. Paulo chegou a ser preso durante a operação, mas conseguiu habeas-corpus nesta sexta-feira.

Em e-mail de 22 de abril de 2009, Rosemary faz um relatório para Paulo Vieira sobre vários assuntos e reclama: "Não gostei nem um pouco de suas cobranças. O que não está andando além da Anac?", questiona, listando indicações queriam dado certo. "Quanto ao pagamento que está para chegar, considero que você não está me fazendo nenhum favor (...) Não nasci ontem, não sou boba! Se você acha que não está correto, aborte o envio dos 30 livros." De acordo com a PF, toda vez que os suspeitos falam em livros, eles querem dizer, na verdade, dinheiro. O jogo de palavras na troca de e-mails revela que Paulo e Rubens Vieira tentavam burlar os mecanismos de vigilância do sistema financeiro.