Operação Porto Seguro: delator do esquema temia ser assassinado

O ex-auditor do Tribunal de Contas da União Cyonil da Cunha Borges de Faria Junior teve medo de ser morto pela quadrilha do diretor afastado da Agência Nacional de Águas, Paulo Rodrigues Vieira, mesmo antes de delatar o esquema de corrupção que deu origem à Operação Porto Seguro. 

Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, em depoimento prestado à Polícia Federal, Cyonil relatou que fez uma procuração em nome da mulher, Vanessa de Faria, para o caso de algo de ruim lhe acontecer. Ele também pediu que Paulo Vieira desistisse de lhe fazer algum mal, de acordo com e-mails interceptados pelos investigadores.

Um ano antes de oferecer a notícia-crime à Superintendência da PF em São Paulo, o ex-auditor trocou mensagens com Paulo Vieira dizendo nunca antes ter se sentido tão mal na vida. "Brother, se eu fiz algo de ruim contra alguém que você gosta ou algo do tipo, por favor, seja expresso. Vamos tentar resolver de outra forma", pediu Cyonil. E continuou: "Fico pensando as mais diversas coisas (...). Não sei se o amigo está pensando em fazer, mas se algo de ruim, por favor, desista! Sério, não sou uma pessoa ruim". Também pediu informações sobre Paulo alegando precisar conferir suas histórias. "Estou muito grilado... perdão por desconfiar um pouco de você, mas sua tranquilidade me assusta", disse na mensagem.