Mulheres engenheiras correspondem a apenas 11,6 % do quadro da Petrobras

Para presidente da petrolífera, equidade de gênero é um desafio no mundo inteiro

O aumento da mão de obra de mulheres nas áreas ligadas à Ciência e Tecnologia é um grande desafio para o país. A constatação da presidente da Petrobras, Graça Foster, foi endossada por outras autoridades presentes no Encontro Nacional: Mulher, Ciência e Tecnologia, realizado no Centro do Rio de Janeiro, na manhã desta quinta-feira (28). Segundo Graça, a Petrobras conta com apenas 11,6% de mulheres engenheiras no seu quadro de pessoal.

Já nos centros de pesquisa, tem-se 29% de mulheres. Quando se trata de altos cargos, como os de gerentes-executivas, o percentual de mulheres diminui para apenas 5%.

"Há um ano, quando estive no Fórum de Mulheres em Xangai, comecei a levantar os dados sobre o percentual de mulheres na Petrobras. Ano passado, tínhamos 8% de engenheiras. O percentual cresceu para apenas 11,6% este ano", aponta. "Isso acontece porque há poucas engenheiras mulheres no mercado". 

Para ela, defensora do sistema de cotas nas universidades federais do país, ela não vê a utilização desta forma no mercado de trabalho com bons olhos, pois entende que pode acarretar prejuízo para a qualidade do serviço em determinadas funções:

"Na Europa, os conselhos de algumas empresas são obrigados a ter mulheres nas cadeiras de executivas. Mas eu não concordo. Como você pode ter uma mulher conselheira que não foi nem chefe de área?", questionou ao defender a importância das mulheres em cargos de chefia. "É importante ter mais mulheres nas universidades, para que se consiga chegar pouco a pouco aos altos cargos", completou.

Para Lourdes Candeias, representante da Secretaria de Políticas para as Mulheres, o Brasil está avançando na inserção de mulheres em altos cargos:

"O cenário está mudando. Temos uma mulher à frente da Petrobras e outra na presidência da República. Aos poucos vamos avançando. É questão de tempo", disse.

Reitor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Ricardo Vieiralves disse acreditar que a participação das mulheres na área de ciência e tecnologia deve se massificar nos próximos dez anos, tamanha a demanda por mão de obra qualificada no país.

“Haverá mais mulheres do que homens e essa mudança trará novos desafios para as famílias brasileiras. Não é possível que o trabalho doméstico continue desigual. As tarefas da casa devem ser divididas”, afirmou. “Haverá muito conflito, mas a mudança é inevitável, uma vez que homens e mulheres estão igualmente inseridos no mercado de trabalho. Tenho tentado fazer minha parte e já ensinei meu filho a cozinhar”, brincou.

Foster finalizou o encontro com uma mensagem para as brasileiras:

"Mulheres, não aceitem limites em relação à sua vontade de produzir para você, para sua empresa e para o seu país. Não aceitem limites", aconselhou.