Com ioga e merenda orgânica, jovem revoluciona escola nos EUA

Com apenas 23 anos, a americana Sarah Ippel apresentou uma proposta ao governo de Chicago para a criação de uma "escola diferente". Foi chamada de "louca", mas sete anos depois colhe os frutos da iniciativa que é exaltada em diferentes partes do mundo. A especialista em educação, que já viajou por 80 países para conhecer sistemas de ensino, conseguiu convencer as autoridades e, em 2008, entrou em atividade a Academia da Cidadania Global, uma escola pública que une aulas de ioga, participação dos pais, e sustentabilidade para formar um novo perfil de alunos: os líderes de um mundo em mudança.

Sarah participou nesta quinta-feira da conferência TEDx Unisinos, em Porto Alegre (RS), para apresentar o modelo de ensino adotado em uma região pobre de Chiacago. A escola tem uma grande horta, onde são plantados os alimentos consumidos pelos próprios alunos no café da manhã e diversas atividades extraclasse. "Quando eu apresentei a proposta dessa escola, me chamaram de louca. Disseram que 80% da população da região vivia abaixo da linha da pobreza e que não tinha muito a fazer para mudar isso. Me sugeriram tocar um projeto mais simples". No entanto, ela não desistiu. Passou três anos insistindo até convencer as autoridades locais sobre a importância da iniciativa.

A escola então foi construída, respeitando critérios de sustentabilidade, como painéis de energia solar. Com quatro anos de funcionamento, são pouco mais de 300 alunos do ensino fundamental que aprendem até três idiomas, tem aulas de ioga, educação física, fazem reciclagem do lixo e aprendem a respeitar o ambiente. "O desempenho dos nossos alunos hoje é bem acima da média das demais escolas. E nós não recebemos nenhum recurso extra, administramos o colégio com a mesma verba que as outras escolas públicas de Chicago", contou Sarah.

Em Porto Alegre ela defendeu a ampliação desse modelo para todo o mundo, com enfoque em quatro pilares: engajamento dos pais, estrutura física adequada (principalmente para incentivar a prática da educação física), rigor acadêmico (incentivando os talentos), e com uma visão social. "Os nossos alunos são incentivados a tomar iniciativas, a decidir, a ter atitude crítica. Assim, eles se tornam cidadãos ativos, capaz de impactar as mudanças necessárias no mundo".

Para ela, a participação dos pais é fundamental no processo de aprendizagem dos filhos. "Na nossa escola, os pais precisam cumprir uma jornada de 20 horas por ano como voluntários. Eles cuidam do jardim, participam de palestras". Segundo Sarah, em 4 anos, a participação da família na escola atinge uma taxa de 98% do total.

Questionada sobre os problemas da educação no Brasil, ela disse que não é impossível revolucionar o ensino, basta força de vontade e empenho coletivo. "Aqueles que não acreditavam no nosso projeto, diziam que a escola deveria focar somente em matemática e alfabetização. Mas olha para uma criança, ela quer e pode muito mais que isso. Se todos agirmos com a fascinação que uma criança de 5 anos tem pelo mundo, essa mudança radical na educação será possível", concluiu.