Ex-assessora de Lula indiciada pela PF teve passaporte especial

A ex-chefe do escritório regional da Presidência em São Paulo Rosemary Nóvoa de Noronha recebeu um passaporte da Presidência da República que previa tratamento especial em viagens internacionais em que ela acompanhou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, então titular do Palácio do Planalto. O documento, emitido sem custo para o titular, permite acesso a fila de entrada separada nos aeroportos e torna dispensável o visto nos países que o exigem. O tratamento tende a ser menos rígido. 

Entre 2007 e 2010, ela viajou com Lula para 23 países, em virtude de pelo menos 30 eventos - de posses de presidentes a encontros de chefes de Estado. Rose, como é conhecida, foi indiciada na semana passada na Operação Porto Seguro da Polícia Federal. 

Ela é acusada de fazer parte de uma organização infiltrada no governo para obtenção de pareceres técnicos fraudulentos. No sábado, ela foi exonerada do cargo de confiança que ocupava. As informações são do jornal Folha de S.Paulo.

O passaporte de Rose esteve válido até 31 de dezembro de 2010, véspera da posse da presidente Dilma Rousseff. Em 2011, o documento não foi renovado. Rose foi procurada pela publicação, mas não foi localizada. 

A assessoria do Instituto Lula informou que só o Ministério das Relações Exteriores poderia explicar a expedição do passaporte diplomático em nome de Rose. Sobre as tarefas desempenhadas por ela nas viagens, respondeu: "As perguntas podem ser feitas para a chefia de pessoal do Itamaraty, que coordenava as comitivas". O Itamaraty confirmou que o pedido da Presidência ocorreu em 2007 com a justificativa de que Rose iria "participar do escalão avançado da viagem de uma autoridade brasileira ao exterior".