Secretário de Segurança de SP pede exoneração do cargo

O secretário de Segurança Pública de São Paulo, Antonio Ferreira Pinto, pediu exoneração do cargo nesta quarta-feira (21), segundo o Bom dia Brasil. O ex-procurador-geral de Justiça Fernando Grella Vieira assumirá o cargo já nesta quinta-feira.

O governador Geraldo Alckmin deu uma entrevista coletiva e elogiou o desempenho de Ferreira Pinto. Alckmin deixou claro que o secretário colocou o cargo à disposição. "O secretário Ferreira Pinto trabalhou conosco quase sete anos, foi um bom secretário de Administração Penitenciária e secretário da Segurança Pública, colocou o cargo à disposição”, disse o governador. 

Alckmin apresentou o novo secretário como uma pessoa com grande experiência. "Ele está preparado para um avanço. Quero agradecer ao Ferreira Pinto, que fez um bom trabalho, com competência e dignidade", disse o governador.

Segundo ele, o governo está trabalhando com "empenho para fortalecer a segurança e proteger a população e combater o crime".

Pelo menos três fatores foram considerados decisivos para que Ferreira Pinto deixasse o cargo. A falta de diálogo com o governo federal, a demora em assumir que São Paulo vive uma crise de segurança e a falta de atitudes para uma solução mais rápida.

Grella entrou no Ministério Público em 1984 e foi secretário da Procuradoria de Justiça Cível, secretário-geral da Confederação Nacional do MP, membro do Conselho Superior da instituição e atuou como promotor de Justiça nas áreas cível e criminal.

A mudança no secretariado acontece no momento em que o estado passa por uma onda de violência. 

Pelo menos dez pessoas morreram e um ônibus foi incendiado em ações criminosas entre o fim da noite desta terça-feira e a madrugada de hoje na Grande São Paulo. Em Guarulhos, por volta de 22h, cinco pessoas foram baleadas, e uma delas morreu, de acordo com a polícia. Aproximadamente no mesmo horário, três pessoas foram atacadas a tiros em uma rua no Butantã, na Zona Oeste da capital paulista - um jovem de 20 anos morreu, enquanto os outros dois foram socorridos em estado grave, segundo informações da Globonews.

>> Dez morrem e ônibus é incendiado em novos ataques na Grande SP

Em Osasco, três homens foram mortos a tiros, enquanto em outro ponto da cidade uma mulher foi assassinada a facadas. 

Em Itaquaquecetuba, três pessoas foram mortas e uma ficou ferida quando conversavam na porta de casa. 

Em Campo Limpo, na Zona Sul da capital paulista, um homem foi encontrado morto a golpes de facão. 

Já na região de Ermelino Matarazzo, no Cangaíba, na Zona Leste de São Paulo, um ônibus foi queimado. De acordo com testemunhas, cinco criminosos, sendo três deles armados, entraram no veículo, mandaram o cobrador e o motorista descer e incendiaram o coletivo, fugindo em seguida - não havia passageiros no momento do incidente.

Onda de violência 

Desde o início do ano, ao menos 92 policiais foram assassinados no Estado. Desse total, 18 eram aposentados e três estavam em serviço. Além disso, o Estado continua a enfrentar um grande índice de violência. Segundo dados da Secretaria de Segurança Pública, só na capital houve um crescimento de 102,82% no número de pessoas vítimas de homicídio no mês de setembro, em comparação ao mesmo período do ano passado. Em todo o Estado, a alta foi de 26,71% no mesmo período.