RS: casos de coqueluche aumentam 160% e causam 6 mortes

Porto Alegre - O número de casos de coqueluche no Rio Grande do Sul em 2012 é 160% maior que os registrados durante todo o ano passado, quando foram registradas 76 infecções. Neste ano foram confirmados 199 casos, que já deixaram seis mortos. Apesar de ter divulgado os dados de 2012, a Secretaria Estadual de Saúde disse que ainda está revisando os números do ano passado. Outros 130 casos foram confirmados por meio de exame médico, mas sem confirmação laboratorial.

Algumas escolas gaúchas estão comunicando os pais sobre a incidência da doença entre crianças após alertas epidemiológicos emitidos pela Equipe de Vigilância das Doenças Transmissíveis (EVDT) de Porto Alegre.

Até setembro deste ano a capital gaúcha tinha registrado 103 casos, número bem maior que os 57 do ano passado. As infecções atingiam principalmente crianças menores de 10 anos (98%) e os sintomas se caracterizavam por tosse prolongada - que em muitos casos era confundida com quadro alérgico - segundo informações da EVDT.

A Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul (SPRS) emitiu comunicado no qual alerta para o aumento do número de casos e reitera a importância da vacinação. "O coeficiente de casos confirmados para cada 100 mil habitantes que, em 2011, era de 1,49 aumentou para 3,5. A totalidade dos casos com óbito ocorreu em menores de um ano de idade", diz trecho do comunicado.

De acordo com a enfermeira Maria de Fátima De Bem, que trabalha na Equipe de Vigilância de Doenças Transmissíveis de Porto Alegre, a coqueluche estava controlada, mas desde o ano passado tem ocorrido um aumento mundial, com alertas emitidos nos EUA, Argentina e Chile. "Não é uma característica do Brasil, isso já aconteceu nos Estados Unidos, onde eles emitiram um alerta no ano passado (...) é uma doença reemergente no mundo", afirmou.

Ela diz que ainda estão sendo feitos estudos para identificar o que pode ter causado esse novo aumento de casos. "Hoje se busca ampliar os estudo para verificar se houve alteração na bactéria", diz.

Em adultos ou crianças vacinadas, segundo Fátima, os efeitos da coqueluche são mais tênues, mas ela alerta que os "casos complicados" ocorrem em bebês com menos de 1 ano. "As crianças só começam a ser vacinadas a partir dos dois meses de vida, recebem reforços aos 2, 4 e 6 meses, outro reforço com 15 meses, e uma nova dose com 4 a 6 anos, que é quando é concluída a vacinação", afirma. No entanto, isso não garante que a pessoa está imune ao vírus.

Segundo a sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul, a coqueluche é sazonal, com maior incidência na primavera e verão. É uma doença infecciosa aguda, transmitida pela via respiratória.

Devem procurar um médico as pessoas que, independente de terem sido vacinadas, apresentem um quadro de tosse seca por 14 dias ou mais, ou que tenham contato com alguma pessoa que tenha sido diagnosticada com a doença. Aqueles que tiverem casos confirmados devem ser afastados de atividades nas quais tenham contato com outras pessoas, como em creches, escola e trabalho por pelo menos cinco dias após o início do tratamento.