Cabo Bruno é enterrado em Catanduva, interior de SP 

O corpo de Florisvaldo de Oliveira, conhecido como Cabo Bruno, foi enterrado por volta das 14h desta sexta-feira no Cemitério Nossa Senhora de Fátima, em Catanduva, interior de São Paulo. A cerimônia durou cerca de 30 minutos presenciada por amigos e familiares. O corpo do cabo foi velado no Velório da Santa Casa de Pindamonhangaba na tarde de ontem.

O delegado Vicente Lagiotto, que comanda as investigações do assassinato do Cabo Bruno, afirmou nesta sexta-feira que três diferentes equipes da Polícia Civil foram designadas para realizar diligências em Pindamonhangaba e outras cidades "do Brasil". Ele não quis especificar em quais regiões os grupos agiriam, mas afirmou que a ação não se restringirá a depoimentos.

Lagiotto disse ainda que além de policiais do município onde o crime ocorreu participam da investigação oficiais de Taubaté. Para ele, o número de agentes e lugares a serem visitados podem mudar conforme as informações chegarem. "Inclusive agora eu estou esperando chegar uma informação que vai dizer se vamos fazer determinada diligência".

Uma reconstituição do crime está prevista para acontecer nos próximos dias. No entanto, o delegado não quis precisar quando isso ocorrerá porque a família está "temerária". Ainda falta falar à polícia a viúva do cabo, Dayse França. Testemunha do crime, ela estaria hoje no enterro da vítima, em Catanduva (SP). Lagiotto disse que a data do depoimento ainda será marcada.

Morte misteriosa

Florisvaldo de Oliveira, conhecido como Cabo Bruno, foi assassinado no fim da noite do dia 26 de setembro, em Pindamonhangaba, pouco mais de um mês depois de deixar a penitenciária Doutor José Augusto César Salgado, no município vizinho de Tremembé, após cumprir 27 anos de prisão.

De acordo com a Polícia Civil, Oliveira voltava de um culto religioso com a família, por volta das 23h50, e já estava próximo da residência onde vivia quando foi abordado por dois homens. Ele desceu do carro e sofreu cerca de vinte disparos, a maioria no rosto e no abdômen, morrendo já no local. Os parentes, que ficaram dentro do veículo, saíram ilesos e nada foi roubado.

Esquadrão da morte nos anos 80

Acusado de chefiar um esquadrão da morte na polícia, Cabo Bruno foi condenado a 113 anos de prisão por matar mais de 50 pessoas, na zona sul de São Paulo, na década de 1980.

Ele foi preso pela primeira vez em 1983. Em sete anos, o ex-policial fugiu três vezes do presídio militar Romão Gomes - uma delas depois de fazer funcionários reféns. Em maio de 1991, foi recapturado e encaminhado à penitenciária Dr. José Augusto Salgado, em Tremembé (SP).

A Justiça já havia permitido, em 2009, que Cabo Bruno cumprisse o restante da pena em regime semiaberto. A decisão, na época, levou em conta parecer do Ministério Público baseado em exames psicossociais e comportamentais, que favoreceram a deliberação dos promotores.

No último dia 23 de agosto, a juíza Marise de Almeida, da 2ª Vara de Execuções Criminais de Taubaté, concedeu indulto pleno ao ex-policial, além de declarar extintas as penas contra ele. A decisão foi tomada com base na "boa conduta carcerária" do preso.