Suspeito de matar ex degolada pode ter sido coagido, diz defesa 

Lore estava trabalhando como promotora de eventos e também era estudante  

Os advogados de Alan dos Santos Peçanha, 27 anos, suspeito de ser o mandante do assassinato da estudante Lore Santana Vaz, 26 anos, encontrada morta dentro de um carro no último dia 13, em Santo André (SP), alegam que seu cliente pode ter confessado participação no crime, pois estava "sob coação psicológica". A defesa está elaborando um pedido de habeas-corpus para o acusado com base na falta de um advogado no momento de seu depoimento.

De acordo com o advogado de Alan, Luis Eduardo Crosselli, seu cliente "estava sozinho quando prestou seu depoimento à polícia, no dia em que foi preso e confessou ser mandante do crime". Segundo ele, a partir deste fato, estão tentando impetrar um pedido de habeas-corpus no Tribunal de Justiça de São Paulo.

Ainda segundo o defensor, a possível coação psicológica ainda está sendo apurada. "Estamos dando um passo de cada vez. Mas sobre a coação, é fato que ele pode ter confessado ser o mandante do crime por estar sozinho e se sentir pressionado", disse.

De acordo com a polícia, o ex-marido de Lore se mostrou "frio e cruel" durante seu depoimento, sem se mostrar arrependido. Ele teria afirmado aos investigadores que contratou Robert e Raimundo para "dar um susto" na antiga companheira, não para matá-la. A versão, contudo, foi desmentida pelos executores da vítima, que confirmaram terem sido pagos para assassinar a estudante.

Para o Setor de Homicídios, o motivo do crime foi financeiro: ela cobrava uma dívida de R$ 3 mil dele, mas as investigações seguem. Alan e os dois acusados de cometerem o crime estão presos temporariamente por decisão da Justiça.

A equipe do delegado Paulo Dionísio, do Setor de Homicídios, não quis se pronunciar sobre o caso. A promotora Daniela Hashimoto, uma das responsáveis pela acusação, estava em julgamento durante a tarde desta terça e não conseguiu falar com a reportagem.