MEC: professores de 35 universidades já encerraram greve 

Balanço do Ministério da Educação (MEC) divulgado nesta quarta-feira, 12 de setembro, indica que a greve de professores chegou ao fim em 35 de 57 universidades federais como um todo ou apenas em alguns campi. Das 59 instituições federais de educação superior, duas não aderiram às paralisações. Na manhã de hoje a Universidade Federal de Lavras (Ufla) decidiu, em assembleia, retomar as atividades. Na noite de ontem, o retorno foi decidido nas universidades federais de Goiás (UFG) e Rural do Semiárido (Ufersa). O acordo definiu que os professores da Ufersa devem voltar às salas de aula no dia 24. Os da Ufla, na segunda-feira.

Segundo o Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes), em assembleias realizadas entre os dias 3 e 6 de setembro, 13 sindicatos decidiram sair da greve, enquanto 39 mantiveram a paralisação (destas, 18 sugeriram datas para o retorno das atividades) - outras 18 assembleias não informaram o resultado ao Andes.

No domingo, o Andes decidiu continuar a greve nacional - 17 delegados votaram à favor da paralisação, e 13 contra. De terça a quinta-feira, ocorre uma nova rodada de assembleias que podem seguir a resolução do sindicato nacional ou acabar com a greve.

Segundo informações do Ministério da Educação (MEC), 20 instituições saíram da greve, 13 apresentaram indicativo de sair e duas nunca participaram das paralisações - as federais do Rio Grande do Norte (UFRN) e de Itajubá (Unifei). Outras 15 mantêm a greve e nove realizam assembleias ao longo da semana.

"Com relação aos institutos federais de educação, ciência e tecnologia, 34 decidiram encerrar o movimento por completo. Entre eles, o do Rio Grande do Norte, o único em que houve greve geral. Apenas sete mantêm paralisação parcial", diz o comunicado do MEC.

Professores de 11 universidades federais e de dez campi isolados de outras instituições já voltaram às atividades acadêmicas. Em outras 18 universidades e cinco campi isolados há previsão de retorno às aulas no máximo até segunda-feira, 17. A Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) deve retornar às atividades ainda nesta quarta-feira, 12, mas isso depende da definição do calendário acadêmico para os próximos meses, no que se refere à reposição das aulas.

O Ministério da Educação tem acompanhado a volta das atividades acadêmicas ao receber e analisar o planejamento das instituições para a reposição dos dias parados. De acordo com o secretário de educação superior do MEC, Amaro Lins, instituições que oficialmente ainda não definiram, em assembleia, o fim da greve já estão retomando as aulas, segundo as próprias reitorias. "Independentemente de uma decisão formal dos sindicatos, temos percebido que a greve está em processo de encerramento e há ampla retomada das atividades em diversos cursos", afirmou.

O governo federal encerrou as negociações com os sindicatos dos docentes e com todas as outras categorias, pois a Lei Orçamentária Anual (LOA) foi encaminhada ao Congresso Nacional em 31 de agosto. Após o envio, o Congresso Nacional rejeita a inclusão de novos valores para questões salariais.

Na proposta de carreira dos professores das universidades e dos institutos federais, apresentada previamente às entidades representativas dos professores e enviada ao Legislativo, o governo busca a valorização da dedicação exclusiva e da titulação dos docentes. O aumento prevê o mínimo de 25% e o máximo de 40%, a serem aplicados nos meses de março de 2013 (50%), de 2014 (30%) e de 2015 (20%). Fica assegurado, portanto, reajuste mínimo de 13% a partir de março do próximo ano. Para a concessão do reajuste, o governo liberou, no orçamento, recursos de R$ 4,2 bilhões.