TJ-SP tranca inquérito contra advogada de Lindemberg Alves 

Em julgamento realizado nesta segunda-feira, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) determinou o trancamento do inquérito policial contra Ana Lúcia Assad, advogada de Lindemberg Alves. No julgamento do cliente, em que ele foi condenado por matar a ex-namorada, Eloá Pimentel, em 2008, Ana Lúcia afirmou que a juíza do caso "deveria voltar a estudar".

A Ordem dos Advogados do Brasil em São Paulo (OAB-SP) impetrou habeas-corpus junto ao TJ-SP no dia 3 de maio, após o pedido ser negado pelo Colégio Recursal da Comarca de Santo André. A peça foi elaborada pelo advogado Antonio Ruiz Filho.

Segundo ele, não houve crime, porque Ana Lúcia não teve intenção de ofender a juíza. De acordo com a defesa, a advogada não agiu com dolo, mas "no calor da inquirição de testemunha, sob alta tensão".

O episódio que gerou o inquérito aconteceu em fevereiro, durante o julgamento de Lindemberg Alves, acusado e condenado pela morte da estudante Eloá Pimentel, em 2008, que era defendido por Ana Lucia Assad. No segundo dia de julgamento, Assad tentou fazer nova pergunta após sua participação no depoimento de uma testemunha e, ao ser impedida pela juíza, disse que a magistrada precisaria "voltar a estudar".

O mais longo cárcere de SP

A estudante Eloá Pimentel, 15 anos, morreu em 18 de outubro de 2008, um dia após ser baleada na cabeça e na virilha dentro de seu apartamento, em Santo André, na Grande São Paulo. Os tiros foram disparados quando policiais invadiam o imóvel para tentar libertar a jovem, que passou 101 horas refém do ex-namorado Lindemberg Alves Fernandes. Foi o mais longo caso de cárcere privado no Estado de São Paulo.

Armado e inconformado com o fim do relacionamento, Lindemberg invadiu o local no dia 13 de outubro, rendendo Eloá e três colegas - Nayara Rodrigues da Silva, Victor Lopes de Campos e Iago Vieira de Oliveira. Os dois adolescentes logo foram libertados pelo acusado. Nayara, por sua vez, chegou a deixar o cativeiro no dia 14, mas retornou ao imóvel dois dias depois para tentar negociar com Lindemberg. Entretanto, ao se aproximar do ex-namorado de sua amiga, Nayara foi rendida e voltou a ser feita refém.

Mesmo com o aparente cansaço de Lindemberg, indicando uma possível rendição, no final da tarde no dia 17 a polícia invadiu o apartamento, supostamente após ouvir um disparo no interior do imóvel. Antes de ser dominado, segundo a polícia, Lindemberg teve tempo de atirar contra as reféns, matando Eloá e ferindo Nayara no rosto. A Justiça decidiu levá-lo a júri popular.