Mensalão: STF deve realizar sessões também nas manhãs de quarta-feira 

Previsão é de que julgamento acabe em meados de outubro 

As sessões plenárias extras necessárias para que o julgamento da ação penal do mensalão não entre pelo mês de novembro — quando se aposenta o ministro Ayres Britto — deverão ser realizadas às quartas-feiras pela manhã, a partir do próximo dia 19. Assim, haveria, até o fim do mês, mais duas sessões pela manhã (de 9h às 12h) em duas quartas-feiras deste mês e, se for necessário, em mais cinco no mês de outubro.

Esta hipótese foi admitida nesta terça-feira, informalmente, pelo próprio ministro Ayres Britto, presidente do STF, e por mais dois de seus colegas, e atende a um apelo do próprio relator da Ação Penal 470, Joaquim Barbosa.

Como está

Nesta quarta-feira à tarde, o plenário deve concluir a votação do item 4 da ação penal, referente aos crimes de lavagem de dinheiro de que são acusados os dirigentes do Banco Rural, Marcos Valério e seus respectivos sócios nas empresas SMP&B e DNA.

Na sessão de segunda-feira, 21º dia do julgamento, o ministro-relator Joaquim Barbosa leu o seu longo voto relativo a este capítulo, e concluiu pela condenação de nove dos 10 réus do chamado núcleo publicitário-financeiro: Valério, Ramon Hollerbach, Cristiano Paz, Rogério Tolentino, Simone Vasconcelos e Geiza Dias (DNA e SMP&B); Kátia Rabello, José Roberto Salgado e Vinicius Samarane (Banco Rural).

A sessão vespertina desta quarta-feira começa com o voto do ministro-revisor, Ricardo Leandowski. Até quinta-feira, no máximo, os demais ministros terão proferido os seus votos sobre o item 4.

Até agora, o STF analisou apenas dois dos sete capítulos da denúncia, condenando cinco réus por desvio de dinheiro público (Capítulo 3) e três por gestão fraudulenta de instituição financeira (Capítulo 5).

Na primeira etapa, foram condenados o deputado federal João Paulo Cunha (PT-SP), por corrupção passiva, peculato (pelo contrato firmado entre a Câmara dos Deputados e a SMP&B) e lavagem de dinheiro; os publicitários Marcos Valério, Cristiano Paz e Ramon Hollerbach por corrupção ativa e dois crimes de peculato; e o ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil, Henrique Pizzolato por corrupção passiva, dois crimes de peculato e lavagem de dinheiro.

No Capítulo 5, os réus condenados foram a ex-presidente do Banco Rural Kátia Rabello, o ex-vice-presidente da instituição financeira José Roberto Salgado e o atual vice-presidente do banco, Vinicius Samarane, que era diretor na época dos fatos.

Os únicos réus absolvidos até agora foram o ex-ministro da Comunicação Social da Presidência da República Luiz Gushiken e a ex-dirigente do Banco Rural Ayanna Tenório.

O que falta

Na segunda-feira, dia 17, o julgamento da ação penal do mensalão deve prosseguir com a votação do item 6, cujos réus são: José Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares (grupo do PT), Marcos Valério e seus sócios (núcleo publicitário), por corrupção ativa; por corrupção passiva, os então parlamentares de partidos aliados do PT que fizeram saques no Banco Rural, como Valdemar Costa Neto, Roberto Jefferson, Bispo Rodrigues e José Borba.

Provavelmente, na última semana deste mês, deve ser julgado o item 7, que tem como foco os saques feitos no Banco Rural por petistas e pelo ex-ministro dos Transportes Anderson Adauto.

O oitavo capítulo do julgamento — que não deverá demorar mais de duas sessões — tem como réus os publicitários Duda Mendonça e Zilmar Fernandes, acusados  de lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

O último capítulo do julgamento da ação penal do mensalão deverá ser bem mais demorado. Na ocasião, serão julgados, por formação de quadrilha, os réus José Dirceu, Delúbio Soares e José Genoino.