Na retomada dos trabalhos, CPI terá quase 300 requerimentos para analisar 

Depois de passar o mês de setembro dedicando-se à análise de documentos e ao cruzamento de dados, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) mista do Cachoeira terá que examinar 289 requerimentos quando as reuniões administrativas forem retomadas em outubro.

Os requerimentos tratam de novas convocações, requisições de informações e dezenas de pedidos de quebras de sigilos bancário, fiscal e telefônico, inclusive de 12 empresas consideradas “fantasmas” e suspeitas de terem sido beneficiadas com dinheiro público vindo da empreiteira Delta.

Segundo a assessoria técnica do PPS, na primeira semana de setembro, o montante apurado de repasse de verbas públicas para essas empresas somava R$ 260 milhões. Entre as empresas que teriam sido beneficiadas pelos desvios de recursos provenientes de contratos com o governo estão SP Terreplenagem, Power Engenharia, JSM Terreplenagem, Soterra Terreplenagem, SM Terraplenagem, MB Serviços e Legend Engenheiros. Todas elas são alvos de requerimentos de quebra de sigilo a serem analisados por deputados e senadores.

Convocações

A lista de solicitações de convocação também é extensa. O ex-ministro das Comunicações e ex-candidato ao governo de Minas Gerais pelo PMDB, em 2010, Hélio Costa, é um dos nomes nesta relação. O pedido partiu do deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP) e é baseado na denúncia feita à comissão pelo ex-diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), Luiz Antônio Pagot, que disse ter sido ameaçado quando o candidato foi lhe pedir indicações de empreiteiras para doação durante a campanha eleitoral de 2010.

O relator Odair Cunha (PT-MG), por sua vez, quer ouvir Antônio Pires Perillo, irmão do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB). Segundo Odair, a Polícia Federal (PF) informou à CPI que Antônio, também conhecido como Toninho, teria recebido um rádio Nextel de Carlos Cachoeira na tentativa de evitar grampos policiais.

Outro que pode ser convocado é o deputado e ex-tesoureiro da campanha de Dilma Rousseff à Presidência, José de Filippi Júnior (PT-SP), que teria ido ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (Dnit) pedir relação de empreiteiras, possíveis doadoras à campanha petista em 2010.

Alguns dos requerimentos aguardando votação:

Dos deputados Onyx Lorenzoni (DEM-RS) e Mendonça Prado (DEM-SE): pede a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico de Fernando Cavendish, dono da Delta Construções S/A. A empresa é apontada pela Polícia Federal como irrigadora de empresas de fachada envolvidas no esquema de corrupção e desvio de dinheiro público do qual fazia parte Carlinhos Cachoeira;

Do senador Fernando Collor (PTB-AL): requer a convocação e a quebra de sigilos bancário, fiscal e telefônico do jornalista da Veja Policarpo Júnior. Para o senador, ele teria relações com Carlos Cachoeira que iam além de interesses jornalísticos, incluindo troca de favores, tráfico de influências entre o Grupo Abril e a organização criminosa.

Do deputado Luiz Pitiman (PMDB-DF): reivindica a criação de um grupo de parlamentares para conversar com o presidente do Supremo Tribunal Federal, Carlos Ayres Britto, para tratar das sucessivas decisões da Corte garantindo o direito dos convocados a permanecer em silêncio;

Do deputado Paulo Teixeira (PT-SP): solicita a convocação da prefeita de Valparaíso de Goiás, Leda Borges, citada em conversas telefônicas entre pessoas tidas como arapongas de Cachoeira;

Do senador Alvaro Dias (PSDB-PR): pede para ouvir Pedro Duailibi, cunhado do prefeito de Palmas, Raul Filho, e ex-secretário de governo, acusado de atuar pelos interesses da Delta dentro da Prefeitura da capital tocantinense;

Do deputado Vanderlei Macris (PSDB-SP): requer a convocação de Valdeir Fernandes Cardoso, acusado pelo contador Gilmar Carvalho de Moraes de ter usado o nome dele indevidamente para abertura de empresas fantasmas. Gilmar e a ex-mulher dele, Sueli Pantoja, já prestaram depoimento à CPI. Sueli, que acabou virando sócia da Alberto & Pantoja Construções, tida como de fachada, também se disse vítima de golpe;

Do deputado Maurício Quintella Lessa (PR-AL): pede o depoimento do vereador Elias Vaz, presidente do PSol em Goiânia, que foi flagrado pela Polícia Federal em conversas com Carlos Cachoeira. À imprensa, o vereador reconheceu ser amigo de Cachoeira, mas disse nunca ter atendido os interesses do contraventor goiano;

Do senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP): solicita a convocação do deputado Valdemar Costa Neto, acusado pelo ex-diretor do Dnit, Luiz Antônio Pagot, de ser um defensor dos interesses da empreiteira Delta na autarquia.


Agência Senado