PSDB quer convocar ex-tesoureiro de Dilma para depor à CPI 

Foi protocolado nesta terça-feira pelo deputado federal Carlos Sampaio (PSDB-SP) o requerimento para convocar o deputado e ex-tesoureiro da campanha de Dilma Rousseff à Presidência, José de Filippi Júnior (PT-SP), para prestar depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) mista do Cachoeira.

A justificativa apresentada no requerimento se baseia no depoimento que o ex-diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) Luiz Antônio Pagot prestou à CPI na semana passada. Segundo Pagot, o deputado José de Filippi Júnior o teria procurado pedindo para que solicitasse às empresas que executavam obras do governo federal doações para a campanha da então candidata Dilma Rousseff.

Ainda segundo o requerimento, Pagot afirmou que, por conta desse pedido, solicitou a 30 ou 40 empreiteiras que, de fato, efetuassem as doações solicitadas em favor do PT. As cópias dos comprovantes de pagamento eram enviadas a José de Filippi, então tesoureiro da campanha de Dilma.

O ex-diretor do Dnit disse também que se arrependeu de ter atendido ao pedido e procurado as empresas com contrato na autarquia para pedir recursos para a campanha de Dilma Roussef à Presidência da República. "Não fiz nenhuma ilegalidade. Mas não foi ético", declarou à CPI.

O depoimento de José Filippi Júnior ainda não tem data marcada.

Carlinhos Cachoeira 

Acusado de comandar a exploração do jogo ilegal em Goiás, Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, foi preso na Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, em 29 de fevereiro de 2012, oito anos após a divulgação de um vídeo em que Waldomiro Diniz, assessor do então ministro da Casa Civil, José Dirceu, lhe pedia propina. O escândalo culminou na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bingos e na revelação do suposto esquema de pagamento de parlamentares que ficou conhecido como mensalão.

Escutas telefônicas realizadas durante a investigação da PF apontaram diversos contatos entre Cachoeira e o senador Demóstenes Torres (GO), então líder do DEM no Senado. Ele reagiu dizendo que a violação do seu sigilo telefônico não havia obedecido a critérios legais, confirmou amizade com o bicheiro, mas negou conhecimento e envolvimento nos negócios ilegais de Cachoeira. As denúncias levaram o Psol a representar contra Demóstenes no Conselho de Ética e o DEM a abrir processo para expulsar o senador. O goiano se antecipou e pediu desfiliação da legenda.

Com o vazamento de informações do inquérito, as denúncias começaram a atingir outros políticos, agentes públicos e empresas, o que culminou na abertura da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) mista do Cachoeira. O colegiado ouviu os governadores Agnelo Queiroz (PT), do Distrito Federal, e Marconi Perillo (PSDB), de Goiás, que negaram envolvimento com o grupo do bicheiro. O governador Sérgio Cabral (PMDB), do Rio de Janeiro, escapou de ser convocado. Ele é amigo do empreiteiro Fernando Cavendish, dono da Delta, apontada como parte do esquema de Cachoeira e maior recebedora de recursos do governo federal nos últimos três anos.

Demóstenes passou por processo de cassação por quebra de decoro parlamentar no Conselho de Ética da Casa. Em 11 de julho, o plenário do Senado aprovou, por 56 votos a favor, 19 contra e cinco abstenções, a perda de mandato do goiano. Ele foi o segundo senador cassado pelo voto dos colegas na história do Senado.