Mensalão: Advogados de José Dirceu enviam novo memorial aos ministros do STF

Em mais um memorial distribuído, nesta terça-feira, aos ministros do Supremo Triibunal Federal, a defesa do principal réu da ação penal do mensalão, o ex-ministro José Dirceu, afirma que a Procuradoria-Geral da República “somente enxerga depoimentos ‘de referência’“ e, assim, “se faz de cega e prefere não enfrentar os inúmeros testemunhos diretos, produzidos sob o crivo do contraditório, que infirmam (enfraquecem) todos os indícios que suportavam a denúncia”.

Ainda conforme o memorial, assinado pelos advogados José Luis Oliveira Lima e Rodrigo Dall’Acqua, “sem dispor de uma única testemunha a favor de suas teses, restou à PGR garimpar os vários interrogatórios dos corréus para tentar utilizar pequenos fragmentos contra José Dirceu”.

Os advogados destacam no memorial — que não se torna peça dos autos, mas tem por objetivo chamar a atenção dos julgadores para determinados fatos — que um trecho do interrogatório de Pedro Correa “é usado para sugerir que uma reunião oficial entre o ministro da Casa Civil e dirigentes partidários e membros da base aliada, para discutir temas políticos, seria indício de que José Dirceu 'continuou a comandar o PT”.

E acrescentam: “É absurdo, mas a PGR quer tachar de criminosa uma reunião oficial de um ministro com membros de partidos políticos, insistindo em rero já observado pelo exmo. min. Gilmar Mendes de que ‘realmente há elementos na própria denúncia que sugerem atividades concernentes ao exercício do cargo do então ministro José Dirceu. Portanto, não me parece, em relação a isso, que devêssemos ficar Impressionados’ (Inq.2.245-4). Sem contar que a acusação ainda omitiu as manifestações d Pedro Correa de que nunca conversou com José Dirceu ‘sobre o repasse de dinheiro do PT ao PP' e que nestas reuniões políticas apenas 'foram discutidos pleitos dos deputados, divergências políticas e nunca se discutiu sobre questões financeiras dos partidos’”.