Executivos do Banco Rural já somam 71 anos em punições 

Executivos do Banco Rural, que ajudaram a financiar o mensalão e que o Banco Central (BC) quer proibir de continuar atuando no mercado financeiro, já receberam penas que somam 71 anos. As punições de natureza administrativa foram aplicadas a 13 banqueiros, incluindo quatro réus do processo do mensalão - José Roberto Salgado, Kátia Rabello, Ayanna Tenório e Vinícius Samarane - que serão julgados nesta semana pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Juntos, eles totalizam 30 anos de penas e multas em dinheiro. 

Todos estão recorrendo contra as punições. O Rural também teve que pagar multa de R$ 1,6 milhão ao BC. A instituição ainda recorre contra outra multa, no valor de R$ 200 mil. As informações foram publicadas no jornal Folha de S. Paulo.

As penalidades foram definidas pelo Banco Central entre 2007 e 2008, mas o órgão responsável pela análise das apelações dos banqueiros, o Conselho de Recursos do Sistema Financeiro Nacional, não julgou o caso até hoje. 

Em nota, a assessoria de imprensa do Banco Rural afirmou que seus diretores não descumpriram as normas do sistema financeiro e disse que espera reverter as punições aplicadas. 

O Rural ajudou a financiar o mensalão emprestando R$ 3 milhões para o PT e outros R$ 29 milhões para agências de propaganda do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza, apontado como operador do esquema. Os empréstimos são considerados fraudulentos pela Procuradoria-Geral da República, que acusa o banco de ter simulado essas operações para disfarçar o desvio de recursos públicos para o mensalão, ocultando a real origem do dinheiro do esquema.