Ex-líder do governo entra na Justiça por página do MPF sobre mensalão 

Ex-líder do governo na Câmara, o deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP) deve entrar com uma ação popular na Justiça contra o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, e outros integrantes do Ministério Público Federal. Vaccarezza quer que a Procuradoria retire de seu site todas as referências ao mensalão e a abertura de uma investigação por improbidade administrativa. 

A ação foi motivada pela veiculação de conteúdo da "Turminha do MPF", hospedado na página do órgão. O deputado já havia entrado com uma representação no Conselho Nacional do Ministério Público por causa da mesma página, que explica ao público jovem detalhes do julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF), incluindo um quadro com os réus e as acusações. As informações são do jornal Folha de S.Paulo.

Para Vaccarezza , a página traz informações "emitindo opinião e já antecipando o julgamento". "A intenção de se influenciar o subconsciente das crianças e adolescentes é evidente (...) Qual seria o interesse público em influenciar crianças e adolescentes a formar um prejulgamento sobre cidadãos que estão ainda sendo processados e apresentando suas defesas em juízo?", questionou o deputado. 

Ele requer que os representantes do Ministério Público envolvidos na sua elaboração sejam condenados a "ressarcir ao erário todos os gastos adicionais dispendidos". "Ora, não se vê no sítio eletrônico do Ministério Público Federal, direcionado a crianças e adolescentes, o mesmo destaque a outro escândalo midiático de corrupção, como, por exemplo, a 'CPI do Cachoeira'", diz a ação. Procurada pelo jornal, a assessoria de Gurgel disse ontem que não se manifestaria. Apenas reafirmou o que já havia dito, em nota, sobre o caso: o objetivo é "acompanhar o julgamento do mensalão para, inclusive, informar o resultado".