Prefeito eleito ajuda a ampliar bancada do partido, diz estudo

As eleições municipais deste ano terá um reflexo maior na montagem da bancada de deputados federais e estaduais daqui a dois anos. Segundo estudo divulgado pela Fundação Getúlio Vargas, um prefeito eleito influencia o desemprenho eleitoral do mesmo partido dois anos depois, nas eleições proporcionais para deputados.

O estudo "Articulações intrapartidárias e desempenho eleitoral no Brasil", assinado pelos professores e pesquisadores George Avelino, Ciro Biderman e Leonardo S. Barone, analisou os resultados das eleições municipais de 2008 (para prefeito) e de 2010 (para deputado federal e estadual) e identificou 20% de aumento nos votos para deputados da legenda do prefeito eleito.

O levantamento foi feito em 5221 munícipios brasileiros - apenas casos onde não houve segundo turno (em cidades de 200 mil eleitores registrados), disputas com apenas um candidato e que o prefeito tenha ganhado a eleição com diferença pequena do candidato do segundo lugar. Segundo George Avelino, a intenção era isolar outras influências.

"Quando um prefeito ganha por poucos pontos de diferença, podemos dizer que ele e o segundo colocado tem mais ou menos a mesma militância, o mesmo número de filiados. Escolhemos casos assim para que o 'efeito prefeito' pudesse ser analisado de forma correta", explica Avelino.

As contas e a análise feitas pelos professores são escancaradas em um exemplo prático: o PMDB foi o partido que mais elegeu prefeitos em 2008 (1203). Mesmo a legenda nunca ter ganhado uma eleição presidencial, o PMDB sustenta a segunda maior bancada da Câmara dos deputados em 2010 (perdendo apenas para o PT). "O PMDB tem consciência disso, eles são profissionais. Eles sabem que quem elege mais prefeitos agora, a tendência é ter uma bancada maior depois. O partido está brigando com o PT por causa das prefeituras, não é por causa da presidência", defende Avelino.

Segundo o levantamento, ao vencer as eleições executivas municipais, um partido tem acesso a recursos consideráveis. A influência e o apoio do prefeito, que é visto como um membro confiável da comunidade pelos eleitores, para alguns candidatos à Câmara também são contabilizados. "Provavelmente, o aumento é focado em um ou dois candidatos, não é um aumento na legenda no geral", explica.